Pré-eclâmpsia: Diagnóstico, Critérios e Manejo Clínico

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 29 anos, G1P0, com 32 semanas, apresenta PA de 158x100 mmHg e proteinúria 3+. Qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Hipertensão gestacional.
  2. B) Eclâmpsia.
  3. C) Pré-eclâmpsia.
  4. D) Hipertensão crônica.

Pérola Clínica

PA ≥ 140/90 + Proteinúria após 20 semanas = Pré-eclâmpsia.

Resumo-Chave

A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica definida por hipertensão de início recente após a 20ª semana de gestação associada a proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no mundo. Sua fisiopatologia está centrada em uma falha na segunda onda de invasão trofoblástica das artérias espiraladas uterinas, resultando em uma placenta hipoperfundida que libera fatores antiangiogênicos na circulação materna, causando disfunção endotelial sistêmica. O manejo depende da idade gestacional e da presença de sinais de gravidade. Em gestações ≥ 37 semanas, o parto é indicado. Entre 34 e 36 semanas com sinais de gravidade, o parto também é a conduta. O uso de sulfato de magnésio é mandatório para prevenção de crises convulsivas (eclâmpsia) em casos com sinais de gravidade. O acompanhamento rigoroso da vitalidade fetal e dos parâmetros laboratoriais maternos é essencial para determinar o momento ideal da interrupção da gravidez.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia?

O diagnóstico requer Pressão Arterial Sistólica (PAS) ≥ 140 mmHg ou Diastólica (PAD) ≥ 90 mmHg em duas aferições com intervalo mínimo de 4 horas, ocorrendo obrigatoriamente após a 20ª semana de gestação em mulher previamente normotensa. Tradicionalmente, a presença de proteinúria significativa (≥ 300 mg em urina de 24 horas, relação proteína/creatinina urinária ≥ 0,3 ou pelo menos 2+ em fita reagente) era obrigatória. Contudo, consensos modernos permitem o diagnóstico mesmo sem proteinúria, desde que a hipertensão venha acompanhada de sinais de disfunção orgânica, como trombocitopenia (plaquetas < 100.000), insuficiência renal (creatinina > 1,1 mg/dL), disfunção hepática (transaminases elevadas ao dobro do normal), edema agudo de pulmão ou o surgimento de sintomas neurológicos/visuais novos, como escotomas, cefaleia refratária ou hiperreflexia.

Como diferenciar pré-eclâmpsia de hipertensão crônica?

A distinção entre essas entidades clínicas é baseada principalmente no tempo de surgimento dos sintomas e na presença de proteinúria. A hipertensão crônica é definida como a pressão elevada (≥ 140/90 mmHg) que já existia antes da gravidez ou que é detectada antes de completar 20 semanas de gestação. A hipertensão gestacional, por sua vez, surge após as 20 semanas, mas não apresenta proteinúria nem sinais de disfunção orgânica sistêmica, sendo um diagnóstico de exclusão que muitas vezes se normaliza no pós-parto. Já a pré-eclâmpsia é a hipertensão de início recente após 20 semanas associada a proteinúria ou danos em órgãos-alvo. É importante notar que uma paciente com hipertensão crônica pode desenvolver pré-eclâmpsia sobreposta, caracterizada pelo surgimento súbito de proteinúria ou descontrole pressórico grave após a metade da gestação.

O que define a pré-eclâmpsia com sinais de gravidade?

A presença de sinais de gravidade na pré-eclâmpsia altera drasticamente o manejo clínico e a urgência do parto. Os critérios de gravidade incluem níveis pressóricos muito elevados (PAS ≥ 160 ou PAD ≥ 110 mmHg), sinais de iminência de eclâmpsia (cefaleia intensa, alterações visuais como turvação ou escotomas, e dor epigástrica ou em hipocôndrio direito por distensão da cápsula de Glisson), além de evidências laboratoriais de disfunção multissistêmica. A Síndrome HELLP, caracterizada por hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia, representa uma forma grave de apresentação. Diante desses sinais, o objetivo principal passa a ser a estabilização materna com anti-hipertensivos de ação rápida (como hidralazina ou nifedipino) e a profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio, seguida da programação do parto, independentemente da idade gestacional se houver deterioração materna ou fetal grave.

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