Diagnóstico de Pré-eclâmpsia: Relação Proteína/Creatinina

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026

Enunciado

Multípara de 38 anos, com gestação de 30 semanas e 1 dia, refere troca de parceiro na gestação atual, além de ganho de peso (4 kg em uma semana) e elevação da pressão arterial (sendo o maior valor de 145x96 mmHg). Nega cefaleia, alterações visuais ou epigastralgia. Refere boa movimentação fetal. Considerando que a paciente já foi submetida ao exame clínico e ultrassonográfico, o seguinte exame é considerado de maior valor para complementação diagnóstica:

Alternativas

  1. A) Ácido úrico.
  2. B) Relação proteína/creatinina em amostra isolada de urina.
  3. C) Proteínas totais.
  4. D) Gasometria arterial.

Pérola Clínica

PA ≥ 140/90 + Relação P/C ≥ 0,3 em amostra isolada = Pré-eclâmpsia.

Resumo-Chave

A relação proteína/creatinina (P/C) em amostra isolada de urina substitui a proteinúria de 24 horas para diagnóstico rápido de pré-eclâmpsia, sendo considerada positiva se ≥ 0,3.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica definida pela hipertensão arterial surgida após a 20ª semana de gestação associada à proteinúria ou disfunção orgânica. A fisiopatologia envolve uma placentação anômala com estresse oxidativo e disfunção endotelial sistêmica. O diagnóstico precoce é crucial para prevenir complicações graves como eclampsia, síndrome HELLP e descolamento prematuro de placenta. A identificação de fatores de risco, como a troca de parceiro (que altera a tolerância imunológica à unidade fetoplacentária) e o ganho ponderal súbito (sinal de edema oculto), deve elevar a suspeição clínica. A relação proteína/creatinina urinária destaca-se como uma ferramenta diagnóstica rápida e eficaz, otimizando o fluxo de atendimento da gestante hipertensa.

Perguntas Frequentes

Qual o valor de corte da relação P/C para pré-eclâmpsia?

O valor de corte estabelecido pela maioria das diretrizes internacionais, incluindo a ACOG e a FEBRASGO, é de ≥ 0,3 mg/mg em uma amostra isolada de urina. Este valor apresenta excelente correlação com a proteinúria de 24 horas ≥ 300 mg, permitindo um diagnóstico mais ágil e seguro no ambiente de urgência obstétrica ou ambulatorial, sem a necessidade de aguardar a coleta prolongada de urina, que é frequentemente sujeita a erros de coleta pela paciente.

A proteinúria de 24 horas ainda é o padrão-ouro?

Historicamente, a proteinúria de 24 horas (≥ 300 mg) foi considerada o padrão-ouro. No entanto, devido à dificuldade logística e aos erros comuns na coleta (sub ou sobrecoleta), a relação proteína/creatinina em amostra isolada tornou-se o método preferencial na prática clínica contemporânea. Se a relação P/C for inconclusiva ou estiver próxima ao limite, a proteinúria de 24 horas ainda pode ser utilizada para confirmação, mas não deve retardar o manejo se houver outros sinais de gravidade.

Pode haver pré-eclâmpsia sem proteinúria?

Sim. De acordo com as definições atuais, a pré-eclâmpsia pode ser diagnosticada na ausência de proteinúria se a hipertensão de início recente (após 20 semanas) for acompanhada por qualquer sinal de disfunção orgânica. Isso inclui trombocitopenia (< 100.000/uL), insuficiência renal (creatinina > 1,1 mg/dL), disfunção hepática (transaminases 2x o normal), edema agudo de pulmão ou sintomas cerebrais/visuais (cefaleia persistente, escotomas).

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