Profilaxia de Pré-eclâmpsia: Indicações de AAS e Cálcio

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026

Enunciado

Primigesta, gestação gemelar, 30 anos, IMC de 31 kg/m², na 12a semana de gestação, realizou Doppler de artéria uterina com índice de pulsatilidade no percentil 60. Qual a melhor conduta segundo o Manual da Rede Brasileira de Hipertensão e o Ministério da Saúde?

Alternativas

  1. A) Manter vigilância pressórica e orientação nutricional, reservando AAS para gestantes com história prévia de pré-eclâmpsia e Doppler alterado.
  2. B) Considerar o Doppler normal (< p95), não havendo indicação de iniciar medicação profilática.
  3. C) Repetir o Doppler na época do exame morfológico do segundo trimestre (entre 20 –24 semanas) e, se alterado, iniciar AAS.
  4. D) Iniciar ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose e suplementação de cálcio, independentemente do resultado do Doppler.

Pérola Clínica

Gemelaridade ou IMC > 30 = Alto Risco → Iniciar AAS (100-150mg) + Cálcio antes de 16 semanas.

Resumo-Chave

Fatores de risco clínicos (gemelaridade, obesidade) são suficientes para indicar profilaxia de pré-eclâmpsia com AAS e cálcio, independentemente do resultado do Doppler de artérias uterinas.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia (PE) permanece como uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no mundo. A fisiopatologia envolve uma falha na segunda onda de invasão trofoblástica, resultando em alta resistência nas artérias espiraladas e estresse oxidativo placentário. O Doppler de artérias uterinas no primeiro trimestre (IP médio > p95 ou incisura bilateral) é um marcador de risco, mas sua sensibilidade isolada é limitada. As diretrizes atuais priorizam a anamnese clínica. No caso de gestação gemelar e obesidade (IMC 31), a paciente já se enquadra em critérios de alto risco. O AAS atua inibindo a síntese de tromboxano A2, melhorando o balanço prostaclina/tromboxano e favorecendo a perfusão placentária. A conduta correta é a introdução imediata da profilaxia farmacológica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de alto risco para pré-eclâmpsia?

Os critérios de alto risco que indicam profilaxia com AAS incluem: história prévia de pré-eclâmpsia (especialmente se precoce ou com desfecho adverso), gestação múltipla, hipertensão crônica, diabetes mellitus (tipo 1 ou 2), doença renal crônica e doenças autoimunes (como lúpus eritematoso sistêmico ou síndrome antifosfolípide). Fatores de risco moderado incluem nuliparidade, obesidade (IMC > 30), história familiar de pré-eclâmpsia, idade materna ≥ 35 anos e características sociodemográficas. A presença de um fator de alto risco ou dois de risco moderado justifica a intervenção.

Qual a dose e o período ideal para iniciar o AAS?

A dose recomendada de Ácido Acetilsalicílico (AAS) para profilaxia de pré-eclâmpsia varia entre 100 mg e 150 mg por dia, preferencialmente administrada à noite (para melhor efeito sobre a pressão arterial circadiana). O início deve ocorrer idealmente entre a 12ª e a 16ª semana de gestação, não devendo ultrapassar a 20ª semana para garantir o benefício na placentação. O uso deve ser mantido até a 36ª semana ou até o parto, dependendo do protocolo institucional.

Por que suplementar cálcio na prevenção da pré-eclâmpsia?

A suplementação de cálcio (1,5 a 2,0 g/dia) é recomendada para gestantes com baixa ingestão dietética de cálcio (menos de 600-900 mg/dia). Estudos demonstram que o cálcio reduz o risco de pré-eclâmpsia, possivelmente por reduzir a liberação de paratormônio e a reatividade vascular. No Brasil, devido à prevalência de baixa ingestão de laticínios em diversas populações, o Ministério da Saúde e a Rede Brasileira de Hipertensão recomendam a suplementação para gestantes de alto risco como medida adjuvante ao AAS.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo