HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2020
Primigesta, 20 anos de idade, com alteração dos níveis pressóricos após 24 semanas de gestação associado a edema e proteinúria. Não apresentou quadro convulsivo. Após 7 semanas de puerpério, seus níveis pressóricos estavam normalizados. Dentre as doenças classificadas como Síndromes Hipertensivas da Gravidez, qual é a principal hipótese diagnóstica aplicada ao caso?
Hipertensão + proteinúria + edema após 20 semanas de gestação, normalizando no puerpério → Pré-eclâmpsia.
O quadro clínico de hipertensão arterial, proteinúria e edema, surgindo após 20 semanas de gestação em uma primigesta e resolvendo no puerpério, é a definição clássica de pré-eclâmpsia. A ausência de convulsões diferencia de eclâmpsia, e a normalização pós-parto afasta hipertensão crônica.
As síndromes hipertensivas da gravidez representam uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. A pré-eclâmpsia é a mais comum e clinicamente relevante dessas condições, afetando cerca de 2-8% das gestações. É caracterizada por hipertensão de início recente e proteinúria após 20 semanas de gestação em uma mulher previamente normotensa, ou hipertensão de início recente com disfunção de órgãos-alvo. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para a segurança da mãe e do feto. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia é complexa e multifatorial, envolvendo uma placentação anormal que leva à disfunção endotelial sistêmica. Isso resulta em vasoconstrição generalizada, aumento da permeabilidade vascular e ativação plaquetária, manifestando-se como hipertensão, proteinúria e edema. No caso apresentado, a primigesta desenvolveu hipertensão, edema e proteinúria após 24 semanas, sem convulsões, e com normalização pressórica no puerpério. Esses são os critérios diagnósticos exatos para pré-eclâmpsia. É fundamental diferenciar a pré-eclâmpsia de outras síndromes hipertensivas. A hipertensão gestacional não apresenta proteinúria. A eclâmpsia é a ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em uma mulher com pré-eclâmpsia. A hipertensão crônica é diagnosticada antes da gestação ou antes de 20 semanas, ou persiste após 12 semanas de puerpério. A pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica ocorre quando uma mulher com hipertensão crônica desenvolve proteinúria ou piora da hipertensão após 20 semanas. O tratamento definitivo da pré-eclâmpsia é o parto, e o manejo visa controlar a pressão arterial e prevenir complicações até o momento ideal do nascimento.
Os critérios incluem hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões com 4h de intervalo, ou PA ≥ 160/110 mmHg em uma ocasião) que surge após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria (≥ 300 mg em 24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3 ou dipstick ≥ 1+). Pode haver também sinais de disfunção de órgãos-alvo.
A principal diferença é a presença de proteinúria na pré-eclâmpsia. A hipertensão gestacional é definida como hipertensão que surge após 20 semanas de gestação sem proteinúria ou outros sinais de disfunção de órgãos-alvo, e que também se normaliza no puerpério.
Fatores de risco incluem primiparidade, idade materna avançada ou muito jovem, gestação múltipla, história prévia de pré-eclâmpsia, hipertensão crônica, diabetes mellitus, doença renal crônica, obesidade e doenças autoimunes como lúpus eritematoso sistêmico.
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