Pré-eclâmpsia Leve: Diagnóstico e Conduta no Termo

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Uma primigesta, com 37 semanas de gestação, queixa-se de edema de membros inferiores há uma semana. O cartão de pré-natal apresenta anotações conforme demonstrado na figura a seguir: Ao exame físico apresenta bom estado geral, pressão arterial = 150 × 90 mmHg, altura uterina = 34 cm, dinâmica uterina ausente, ausculta fetal = 140 bpm, sem desacelerações, edema de membros inferiores ++/4+. Toque vaginal: colo grosso e impérvio. Proteinúria de fita +/4+. Qual o diagnóstico correto e a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Hipertensão gestacional; solicitação de exames para avaliação do bem-estar fetal e seguimento no pré-natal.
  2. B) Pré-eclâmpsia leve; hospitalização para repouso relativo, dieta normossódica e avaliação do bem-estar fetal.
  3. C) Pré-eclâmpsia leve; solicitação de exames para avaliação do bem-estar fetal e seguimento no pré-natal.
  4. D) Pré-eclâmpsia grave; hospitalização para resolução da gestação por indução do parto ou cesárea.

Pérola Clínica

PA ≥ 140/90 + Proteinúria (+) após 20 sem = Pré-eclâmpsia.

Resumo-Chave

A pré-eclâmpsia leve em gestação a termo (37 semanas) requer hospitalização para avaliação inicial completa da vitalidade fetal e estabilidade materna.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica definida pela hipertensão arterial surgida após a 20ª semana de gestação associada à proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo. Sua fisiopatologia envolve uma placentação anômala com falha na invasão trofoblástica das artérias espiraladas, gerando estresse oxidativo e disfunção endotelial sistêmica. No caso clínico apresentado, a paciente apresenta critérios para pré-eclâmpsia leve (PA 150x90 e proteinúria 1+). Com 37 semanas, o risco de complicações maternas (como descolamento prematuro de placenta ou eclâmpsia) e fetais (restrição de crescimento ou sofrimento agudo) justifica a internação para vigilância. A dieta deve ser normossódica, pois a restrição de sal não previne a progressão da doença e pode reduzir o volume plasmático já comprometido.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar pré-eclâmpsia leve de grave?

A pré-eclâmpsia é considerada grave se apresentar PA sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, ou sinais de disfunção orgânica (iminência de eclâmpsia, edema agudo de pulmão, síndrome HELLP, creatinina > 1,1 mg/dL). Na ausência desses critérios e com PA entre 140/90 e 159/109, classifica-se como leve.

Qual a conduta na pré-eclâmpsia leve com 37 semanas?

Ao atingir 37 semanas (termo), a conduta recomendada para pré-eclâmpsia leve é a hospitalização para avaliação do bem-estar fetal e materno. Embora a interrupção imediata não seja obrigatória se os exames estiverem normais, o monitoramento deve ser rigoroso, e o parto geralmente é planejado para ocorrer em breve.

Qual a importância da proteinúria de fita no diagnóstico?

A proteinúria de fita (1+ ou mais) em uma gestante hipertensa é um forte indicador de pré-eclâmpsia. Embora o padrão-ouro seja a proteinúria de 24h (> 300mg) ou a relação proteína/creatinina urinária (> 0,3), a fita reagente é uma ferramenta de triagem rápida e válida na prática clínica.

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