Diagnóstico de Pré-eclâmpsia: Novos Critérios e Marcadores

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026

Enunciado

Há um conceito emergente de que a pré-eclâmpsia, na verdade, seja uma síndrome que compreenda diferentes doenças e que a manifestação clínica de cada uma resulte da resposta constitucional materna à placentação, com subsequente inflamação, estresse oxidativo e disfunção endotelial e angiogênica. Com relação a essa suposta síndrome, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Quanto mais precoce seu desenvolvimento, menos relação há com isquemia placentária.
  2. B) Proteinúria é critério essencial para o diagnóstico.
  3. C) Quanto maior a proteinúria, maior a gravidade da doença.
  4. D) A convulsão materna, em geral, ocorre predominantemente após o parto.
  5. E) Relação proteína (mg/dL)/creatinina (mg/dL) de amostra urinária isolada maior ou igual a 0,3 indica pré-eclâmpsia.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia = HAS após 20 sem + Proteinúria (P/C ≥ 0,3) ou lesão de órgão-alvo.

Resumo-Chave

A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica definida por hipertensão de início recente após 20 semanas, onde a relação proteína/creatinina ≥ 0,3 é um critério diagnóstico fundamental.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é entendida como uma doença da placentação, onde ocorre falha no remodelamento das artérias espirais pelo trofoblasto. Isso gera isquemia placentária e liberação de fatores antiangiogênicos na circulação, causando disfunção endotelial sistêmica. O diagnóstico precoce é vital, e a relação proteína/creatinina ≥ 0,3 é o marcador bioquímico mais prático. O manejo envolve controle pressórico e profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio em casos de gravidade, sendo o parto a única resolução definitiva da cascata fisiopatológica.

Perguntas Frequentes

A proteinúria ainda é obrigatória para o diagnóstico de pré-eclâmpsia?

Não. Segundo as diretrizes da FEBRASGO e ACOG, a pré-eclâmpsia pode ser diagnosticada na ausência de proteinúria se a hipertensão de início recente (≥ 140/90 mmHg após 20 semanas) vier acompanhada de sinais de disfunção orgânica. Estes incluem trombocitopenia (< 100.000/uL), insuficiência renal (creatinina > 1,1 mg/dL ou dobro da basal), disfunção hepática (transaminases 2x o normal), edema agudo de pulmão ou sintomas neurológicos/visuais (cefaleia persistente, escotomas). Portanto, a ausência de proteína na urina não exclui a síndrome.

Qual a importância da relação proteína/creatinina em amostra isolada?

A relação proteína/creatinina (P/C) em amostra isolada de urina tornou-se o padrão-ouro para triagem rápida devido à sua excelente correlação com a coleta de urina de 24 horas. Um valor ≥ 0,3 mg/mg indica proteinúria significativa (equivalente a ≥ 300 mg/24h). Sua principal vantagem é a agilidade diagnóstica no pronto-socorro obstétrico, evitando o atraso de 24 horas na coleta convencional e eliminando erros comuns de armazenamento ou volume incompleto, permitindo uma intervenção terapêutica ou conduta expectante mais segura.

O grau de proteinúria define a gravidade da pré-eclâmpsia?

Atualmente, o montante absoluto de proteinúria (mesmo valores acima de 5g em 24h) não é mais utilizado como critério isolado de gravidade ou indicação de parto imediato. A gravidade da pré-eclâmpsia é determinada pela presença de 'características de gravidade', como níveis pressóricos ≥ 160/110 mmHg, iminência de eclâmpsia, síndrome HELLP ou sofrimento fetal. O foco clínico migrou da quantificação proteica para a avaliação da estabilidade hemodinâmica, função renal, hepática e integridade do sistema nervoso central materno.

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