Pré-diabetes: Diagnóstico e Conduta Segundo a SBD 2020

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 66a, assintomática, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Ganhou cinco quilogramas nos últimos 12 meses. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial e dislipidemia. Em uso regular de enalapril e atorvastatina. Exame físico: IMC=29Kg/m²; PA=136/82mmHg; FC=68bpm. Exames laboratoriais: glicemia de jejum=118mg/dL; hemoglobina glicada=6,3%; TSH=2,36UI/L. CONSIDERANDO OS EXAMES LABORATORIAIS, DE ACORDO COM A DIRETRIZ DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES (2020), A CONDUTA É:

Alternativas

Pérola Clínica

Pré-diabetes (GJ 100-125 ou HbA1c 5.7-6.4%) + fatores risco → Mudança estilo de vida.

Resumo-Chave

A paciente apresenta critérios para pré-diabetes (glicemia de jejum 118 mg/dL e HbA1c 6,3%). Com fatores de risco como sobrepeso (IMC 29), hipertensão e dislipidemia, a conduta inicial e mais importante, conforme a SBD, é a implementação de mudanças intensivas no estilo de vida, focando em dieta e exercícios físicos. A metformina pode ser considerada em casos de alto risco, mas o estilo de vida é a base.

Contexto Educacional

O pré-diabetes é uma condição metabólica caracterizada por níveis de glicose no sangue mais altos que o normal, mas ainda não suficientes para um diagnóstico de diabetes tipo 2. É uma fase crucial, pois representa uma oportunidade para intervir e prevenir ou retardar a progressão para o diabetes franco, uma doença crônica com múltiplas complicações. A prevalência de pré-diabetes é alta e está intimamente ligada à epidemia de obesidade e sedentarismo. O diagnóstico de pré-diabetes, conforme a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD 2020), é estabelecido por uma glicemia de jejum entre 100-125 mg/dL, ou uma hemoglobina glicada (HbA1c) entre 5,7-6,4%, ou uma glicemia de 2 horas no teste oral de tolerância à glicose (TOTG) entre 140-199 mg/dL. A paciente do caso apresenta glicemia de jejum e HbA1c dentro desses parâmetros, além de fatores de risco como sobrepeso, hipertensão e dislipidemia, que aumentam o risco de progressão. A conduta primordial para o pré-diabetes é a modificação intensiva do estilo de vida, com foco em dieta hipocalórica e aumento da atividade física, visando a perda de peso. Essa intervenção demonstrou ser mais eficaz que a farmacoterapia na prevenção do diabetes tipo 2. A metformina pode ser considerada em pacientes de muito alto risco, mas sempre como adjuvante às mudanças de estilo de vida. O acompanhamento regular é essencial para monitorar a glicemia e reforçar as intervenções.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-diabetes segundo a SBD?

Os critérios diagnósticos para pré-diabetes incluem glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL, ou teste oral de tolerância à glicose (TOTG) com glicemia de 2 horas entre 140 e 199 mg/dL, ou hemoglobina glicada (HbA1c) entre 5,7% e 6,4%.

Qual a conduta inicial para um paciente com pré-diabetes e fatores de risco?

A conduta inicial e mais importante é a implementação de mudanças intensivas no estilo de vida, incluindo dieta saudável, redução de peso (se houver sobrepeso/obesidade) e aumento da atividade física regular. Essas medidas podem prevenir ou retardar a progressão para diabetes tipo 2.

Quando a metformina é indicada para pacientes com pré-diabetes?

A metformina pode ser considerada para pacientes com pré-diabetes que apresentam alto risco de progressão para diabetes tipo 2, como aqueles com IMC ≥ 35 kg/m², idade inferior a 60 anos, ou história de diabetes gestacional, além das modificações no estilo de vida.

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