USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Paciente masculino, 52 anos, sedentário, recebendo atendimento de rotina com diagnóstico de hipertensão arterial. Ao exame físico apresenta-se com IMC: 42 kg/m² e pressão arterial de 132 x 82 mmHg e com os seguintes resultados de exames laboratoriais: glicemia: 112 mg/dl, teste de tolerância à glicose 75g (GTT 75): 112/190, colesterol total: 198 mg/dl, HDL colesterol: 49mg/dl, triglicérides 270 mg/dl, creatinina: 0,8 mg/dl, TGO: 28 mg/dl, TGP: 37 mg/dl, urina tipo 1: sem alterações.Além das orientações de cuidados não farmacológicos como orientação dietética e atividade física regular, que medicação seria mais adequada à condição de saúde do paciente?
Paciente com pré-diabetes (intolerância à glicose) e obesidade → Metformina é a primeira escolha farmacológica.
A metformina é a medicação de primeira linha para pacientes com diabetes tipo 2 e também é indicada para pré-diabetes, especialmente em indivíduos com obesidade, devido ao seu mecanismo de ação que melhora a sensibilidade à insulina e reduz a produção hepática de glicose.
O pré-diabetes, que inclui a glicemia de jejum alterada e a intolerância à glicose, é uma condição de alto risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e doenças cardiovasculares. Sua prevalência é crescente, especialmente em populações com alta incidência de obesidade e sedentarismo. A identificação precoce e a intervenção são fundamentais para prevenir a progressão para DM2. A fisiopatologia do pré-diabetes envolve principalmente a resistência à insulina e uma disfunção progressiva das células beta pancreáticas. O diagnóstico é feito através da glicemia de jejum, teste oral de tolerância à glicose (GTT 75g) ou dosagem da hemoglobina glicada (HbA1c). O paciente do caso apresenta intolerância à glicose (GTT 75g: 190 mg/dl em 2h) e obesidade (IMC 42 kg/m²), fatores que aumentam significativamente o risco de progressão. As modificações no estilo de vida, como dieta saudável e atividade física regular, são a primeira linha de tratamento para o pré-diabetes. No entanto, em pacientes de alto risco, como o descrito (obesidade grave), a metformina é a medicação de primeira escolha para prevenir ou retardar a progressão para DM2. A metformina atua melhorando a sensibilidade à insulina e diminuindo a produção hepática de glicose, sendo bem tolerada e com perfil de segurança favorável.
O pré-diabetes é diagnosticado por glicemia de jejum alterada (100-125 mg/dL), teste de tolerância à glicose alterado (140-199 mg/dL após 2h do GTT 75g) ou hemoglobina glicada (HbA1c) entre 5,7% e 6,4%.
A metformina atua principalmente reduzindo a produção hepática de glicose (gliconeogênese), aumentando a sensibilidade à insulina nos tecidos periféricos (músculo e gordura) e diminuindo a absorção intestinal de glicose, resultando em melhor controle glicêmico.
O tratamento farmacológico com metformina é considerado para pacientes com pré-diabetes de alto risco, como aqueles com IMC ≥ 35 kg/m², idade < 60 anos, ou história de diabetes gestacional, além das modificações no estilo de vida.
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