INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Um homem com 43 anos de idade, sem histórico de tabagismo, fez dosagem da sua glicemia de jejum em exame de rotina no serviço de medicina do trabalho, tendo sido encontrado como resultado o valor de 120 mg/dL (valor de referência: < 110 mg/dL). Devido ao quadro, foi encaminhado a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação médica. O médico que o atendeu, não tendo detectado história familiar de diabetes melito, nem encontrado alterações em seu exame clínico, pediu novo exame para dosagem da glicemia em jejum, que apresentou o resultado de 120 mg/dL. Solicitou, então, dosagem de glicemia 2 horas pós-carga (pós-prandial) e dosagem de hemoglobina glicada, que apresentaram, respectivamente, os seguintes resultados: 160 mg/dL (valor de referência: < 140 mg/dL) e 6,1% (valor de referência: < 5,7%). O paciente foi orientado sobre alimentação saudável e mudanças de hábitos de vida. Nessa situação e de acor- do com o estabelecido pelo Ministério da Saúde, quais devem ser o intervalo de tempo recomendado para reavaliação do paciente e a conduta médica adequada no retorno?
Pré-diabetes (GJ 100-125 ou HbA1c 5,7-6,4%) → MEV + Reavaliação anual com glicemia de jejum.
Pacientes com pré-diabetes devem focar em mudanças de estilo de vida e ser monitorados anualmente para prevenir ou detectar precocemente a progressão para DM2.
O pré-diabetes representa uma zona cinzenta metabólica onde o risco de complicações cardiovasculares já está aumentado, mesmo antes da hiperglicemia atingir níveis de diabetes franco. A identificação precoce na Atenção Primária é crucial para reduzir a carga da doença. O Ministério da Saúde enfatiza a importância da confirmação diagnóstica e do uso da glicemia de jejum como ferramenta principal de seguimento. A abordagem deve ser centrada no paciente, incentivando a autonomia nas mudanças de hábitos. Estudos como o DPP (Diabetes Prevention Program) demonstraram que a intervenção intensiva no estilo de vida é mais eficaz que o uso isolado de metformina na prevenção da progressão para o diabetes. Portanto, o papel do médico é de educador e monitor do risco metabólico a longo prazo.
O pré-diabetes é definido por uma glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL, ou uma hemoglobina glicada (HbA1c) entre 5,7% e 6,4%, ou ainda um teste de tolerância oral à glicose (TOTG) com valor de 2 horas entre 140 e 199 mg/dL. No caso clínico, o paciente apresentava GJ de 120 mg/dL e HbA1c de 6,1%, confirmando o estado de risco aumentado para diabetes. É essencial que esses valores sejam confirmados em duas ocasiões diferentes para estabelecer o diagnóstico formal.
A conduta primordial é a intervenção no estilo de vida (MEV), incluindo dieta balanceada e atividade física regular (pelo menos 150 minutos por semana). O objetivo é a perda de peso (5-7%) e a melhora da sensibilidade à insulina. O uso de metformina pode ser considerado em casos selecionados (IMC > 35, idade < 60 anos ou mulheres com histórico de diabetes gestacional), mas a base do tratamento para a maioria dos pacientes, conforme o Ministério da Saúde, é a orientação educacional e o acompanhamento clínico.
A recomendação de reavaliação anual com glicemia de jejum para pacientes com pré-diabetes baseia-se no equilíbrio entre custo-benefício e a história natural da doença. A progressão para diabetes tipo 2 geralmente ocorre de forma gradual. O monitoramento anual permite detectar a conversão para diabetes a tempo de ajustar a terapia e prevenir complicações microvasculares, sem sobrecarregar o sistema de saúde ou o paciente com exames excessivamente frequentes em casos de baixo risco imediato.
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