MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Em um modelo experimental de sinapse glutamatérgica, um pesquisador utiliza a técnica de voltage-clamp para manter o potencial de membrana de um neurônio pós-sináptico fixo em -60 mV. O canal em estudo é um receptor ionotrópico não seletivo para cátions (permeável a Na+ e K+), que em condições fisiológicas apresenta um potencial de reversão (V_reversão) de 0 mV. Durante o experimento, o pesquisador substitui todo o Na+ do meio extracelular por um cátion orgânico de grande dimensão e não permeável (NMDG+), mantendo as concentrações de K+ e o pH inalterados. Considerando que o potencial de equilíbrio do potássio (E_K) nesse sistema é de -90 mV, qual será a direção da corrente iônica observada ao aplicar o agonista glutamato sob estas novas condições e qual a sua justificativa?
Em situações de desequilíbrio iônico extremo ou uso de drogas que alteram a seletividade de canais, um neurotransmissor tipicamente excitatório pode se comportar como inibitório se o potencial de reversão do canal for deslocado para valores mais negativos que o limiar de disparo.
O potencial de reversão (V_reversão) de um canal iônico é o potencial de membrana no qual não há fluxo líquido de íons através dele. Em canais catiônicos não seletivos, como os receptores de glutamato AMPA ou NMDA, o V_reversão é uma média ponderada dos potenciais de equilíbrio dos íons permeáveis (Na+ e K+). Em condições fisiológicas, esse valor é próximo de 0 mV, pois o influxo de Na+ e o efluxo de K+ se equivalem nesse ponto. Quando o Na+ extracelular é substituído por um cátion não permeável como o NMDG+, a permeabilidade do canal fica restrita ao K+. Consequentemente, o potencial de reversão do canal desloca-se para o potencial de equilíbrio do potássio (E_K), que no experimento é de -90 mV. A técnica de voltage-clamp mantém o neurônio em -60 mV, criando uma situação onde o potencial de membrana é mais positivo que o novo potencial de reversão (-60 mV > -90 mV). Essa diferença gera uma força motriz eletroquímica positiva (+30 mV), que impulsiona o efluxo de íons potássio para fora da célula. Na eletrofisiologia, o movimento de cargas positivas para fora da célula é definido como uma corrente de saída (outward current). Este conceito é fundamental para entender como alterações iônicas no meio extracelular podem inverter a resposta sináptica de excitatória para inibitória ou nula.
A corrente líquida será zero, pois o fluxo de entrada e saída de íons se equilibra perfeitamente.
Ele é um cátion muito grande que não consegue atravessar os poros dos canais iônicos, servindo para manter a osmolaridade sem contribuir para a corrente elétrica.
Não. O potencial de repouso é da célula inteira (todos os canais); o potencial de reversão refere-se a um tipo específico de canal ou receptor.
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