Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2021
Paciente 78 anos, foi submetido a esofagectomia subtotal transtorácica com piloroplastia por carcinoma espinocelular de terço médio de esôfago. A cirurgia durou 07 horas no total, e o paciente foi encaminhado a unidade de terapia intensiva. São alterações esperadas no pós-operatório imediato para este doente:
Pós-esofagectomia imediato: oligúria funcional, íleo adinâmico, hiperglicemia, febre (resposta inflamatória).
Grandes cirurgias como a esofagectomia desencadeiam uma resposta inflamatória sistêmica e estresse metabólico, resultando em alterações fisiológicas esperadas no pós-operatório imediato. O reconhecimento dessas alterações é vital para o manejo adequado na UTI e para a prevenção de complicações graves.
Pacientes submetidos a grandes cirurgias, como a esofagectomia subtotal transtorácica, experimentam uma intensa resposta ao estresse cirúrgico. Essa resposta é mediada por uma complexa interação hormonal e inflamatória, resultando em uma série de alterações fisiológicas esperadas no pós-operatório imediato, especialmente na unidade de terapia intensiva (UTI). O reconhecimento dessas alterações é crucial para o manejo adequado e para diferenciar o esperado de complicações. Entre as alterações esperadas, destacam-se a oligúria funcional, que ocorre devido à liberação de hormônios antidiuréticos e à redistribuição de fluidos; o íleo adinâmico, resultado da manipulação cirúrgica e da resposta inflamatória, que inibe a motilidade gastrointestinal; e a hiperglicemia, uma resposta metabólica ao estresse, com aumento da produção de glicose e resistência à insulina. Além disso, a elevação da temperatura corporal, ou febre, é uma manifestação comum da resposta inflamatória sistêmica à lesão tecidual cirúrgica. O manejo dessas condições envolve monitoramento rigoroso, otimização da volemia, controle glicêmico e analgesia adequada. É importante que o residente saiba que essas manifestações, dentro de certos limites, são parte da fisiologia pós-operatória e não necessariamente indicam uma complicação grave, embora exijam atenção para evitar desfechos adversos.
A oligúria funcional é comum devido à resposta ao estresse cirúrgico, que libera hormônios como ADH e aldosterona, levando à retenção de água e sódio. Além disso, a hipovolemia relativa e a redistribuição de fluidos contribuem para a diminuição do débito urinário.
Íleo adinâmico é a paralisia temporária da motilidade intestinal. Após grandes cirurgias abdominais ou torácicas como a esofagectomia, a manipulação visceral, a resposta inflamatória e o uso de opioides contribuem para a inibição da peristalse.
A hiperglicemia é uma resposta ao estresse cirúrgico, com liberação de catecolaminas, cortisol e glucagon, que aumentam a produção de glicose e a resistência à insulina. A elevação da temperatura (febre) é parte da resposta inflamatória sistêmica à cirurgia, mediada por citocinas.
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