Pós-Operatório de Whipple: Alterações Esperadas

Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2022

Enunciado

São alterações esperadas no pós-operatório imediato de um doente submetido a gastroduodenopancreatectomia por adenocarcinoma de cabeça de pâncreas:

Alternativas

  1. A) Poliúria, íleo adinâmico, hiperglicemia e elevação da temperatura.
  2. B) Oligúria funcional, íleo adinâmico, hiperglicemia, elevação da temperatura.
  3. C) Oligúria funcional, íleo adinâmico, hipoglicemia e diminuição da temperatura.
  4. D) Poliúria, íleo adinâmico, hiperglicemia e hipotermia.

Pérola Clínica

Pós-op Whipple: oligúria funcional, íleo adinâmico, hiperglicemia e febre são esperados.

Resumo-Chave

Após uma gastroduodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple), o corpo entra em um estado de estresse cirúrgico. Isso leva à liberação de hormônios catabólicos e mediadores inflamatórios, resultando em oligúria funcional devido à retenção hídrica, íleo adinâmico pela manipulação intestinal, hiperglicemia por resistência à insulina e elevação da temperatura como parte da resposta inflamatória.

Contexto Educacional

A gastroduodenopancreatectomia, ou cirurgia de Whipple, é um procedimento complexo com alta morbidade, frequentemente realizado para adenocarcinoma de cabeça de pâncreas. O pós-operatório imediato é marcado por uma intensa resposta sistêmica ao trauma cirúrgico, que envolve alterações endócrinas, metabólicas e inflamatórias. Compreender essas alterações é fundamental para o manejo adequado e a prevenção de complicações. As alterações esperadas incluem oligúria funcional, resultado da ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e liberação de ADH, visando a retenção de volume. O íleo adinâmico é quase universal após grandes cirurgias abdominais, devido à manipulação intestinal e à resposta inflamatória. A hiperglicemia é uma manifestação da resistência à insulina e do aumento dos hormônios de estresse. A elevação da temperatura é parte da resposta inflamatória sistêmica, não necessariamente indicando infecção inicialmente. O manejo pós-operatório exige monitorização rigorosa, controle da dor, reposição volêmica cuidadosa, manejo da glicemia e mobilização precoce. A identificação precoce de desvios dessas alterações fisiológicas para complicações patológicas, como fístulas, sangramentos ou infecções, é crucial para a recuperação do paciente.

Perguntas Frequentes

Por que ocorre oligúria funcional no pós-operatório imediato?

A oligúria funcional é uma resposta fisiológica ao estresse cirúrgico, com liberação de ADH e aldosterona, levando à retenção de água e sódio para manter a volemia. É importante diferenciá-la da oligúria por hipovolemia ou lesão renal.

Qual a causa do íleo adinâmico após cirurgia abdominal?

O íleo adinâmico é causado pela manipulação cirúrgica do intestino, inflamação local, uso de opioides e resposta neuro-humoral ao estresse, resultando em diminuição da motilidade intestinal.

Por que a hiperglicemia é comum no pós-operatório?

A hiperglicemia pós-operatória resulta da resposta ao estresse, que aumenta a liberação de hormônios contrarreguladores (cortisol, catecolaminas, glucagon) e citocinas inflamatórias, levando à resistência à insulina e aumento da gliconeogênese.

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