UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020
Paciente de 48 anos, G4P4, casada, vem ao consultório referindo sensação de ondas de calor em face e tronco e dispareunia de início há 04 meses. Relata que a última menstruação foi há 01 ano e 06 meses. Nega qualquer doença prévia e a avaliação clinica é normal. Traz os seguintes exames: Ultrassonografia transvaginal = Útero 40cm³ ; Miométrio normal; Ovário atróficos; Eco endometrial = 07mm; Mamografia = BIRADS I; Papanicolau = Atrofia /ASCUS-H; FSH= 66,0; TSH=1,0; Exames bioquímicos normais. A condução para o caso é:
Pós-menopausa + eco endometrial > 4-5mm + ASCUS-H → Investigar endométrio (histeroscopia).
A paciente está na pós-menopausa (última menstruação há 1 ano e 6 meses) com sintomas climatéricos. O FSH elevado confirma o estado menopáusico. O achado mais preocupante é o eco endometrial de 7mm em uma mulher pós-menopausa, que é considerado espessado e, associado ao ASCUS-H no Papanicolau, exige investigação do endométrio para excluir patologia maligna ou pré-maligna, sendo a histeroscopia com biópsia o próximo passo.
A menopausa é definida retrospectivamente após 12 meses consecutivos de amenorreia. A paciente em questão, com 48 anos e última menstruação há 1 ano e 6 meses, está claramente na pós-menopausa, apresentando sintomas vasomotores e dispareunia, comuns nessa fase. O FSH elevado corrobora o diagnóstico hormonal. No entanto, a avaliação de uma mulher pós-menopausa não se restringe apenas ao tratamento dos sintomas. É imperativo investigar achados que possam indicar patologias mais sérias. O eco endometrial de 7mm em uma mulher pós-menopausa é um sinal de alerta. Embora o limite para investigação possa variar ligeiramente entre 4-5mm, 7mm é definitivamente considerado espessado e exige atenção. A associação com um Papanicolau mostrando "Atrofia / ASCUS-H" adiciona complexidade, pois o ASCUS-H sempre demanda investigação mais aprofundada, embora a atrofia possa mimetizar alterações citológicas. Diante de um eco endometrial espessado na pós-menopausa, a principal preocupação é a hiperplasia endometrial ou o câncer de endométrio. A histeroscopia com biópsia dirigida é o método padrão-ouro para a avaliação da cavidade uterina e obtenção de amostras para histopatologia, permitindo um diagnóstico preciso. Iniciar TRH sem essa investigação seria um erro grave, pois poderia mascarar ou até estimular uma patologia endometrial pré-existente. Portanto, a histeroscopia é a conduta mais adequada e segura para esta paciente.
Em mulheres pós-menopausa, um eco endometrial acima de 4-5mm é considerado espessado e requer investigação para excluir hiperplasia endometrial ou câncer, especialmente se houver sangramento ou outros fatores de risco.
ASCUS-H (Células Escamosas Atípicas de Significado Indeterminado, não se pode excluir lesão de alto grau) indica a possibilidade de lesão cervical de alto grau. Em pós-menopausa, a atrofia pode dificultar a interpretação, mas a presença de H exige investigação, geralmente colposcopia, mas neste caso, o foco é o endométrio devido ao eco espessado.
A histeroscopia com biópsia é o método mais preciso para avaliar a cavidade endometrial, permitindo a visualização direta de lesões e a coleta de material para histopatologia, sendo crucial para o diagnóstico diferencial de patologias endometriais em casos de espessamento.
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