Pé Diabético: Etiologia, Diagnóstico e Prevenção

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 60 anos portadora de diabetes mellitus tipo 2 há 20 anos. Vem à consulta de pequena cirurgia para fazer uma "raspagem" de ferida no pé. Paciente refere que há 3 meses surgiu ferida no primeiro pododáctilo direito após ter ido à manicura. Neste período, buscou auxílio médico por várias vezes. Fez uso de cefalexina por 15 dias sem melhora. Depois usou amoxicilina com clavulanato por mais 15 dias sem melhora. No momento, está usando ciprofloxacino e deseja fazer a "raspagem" para limpar a ferida que está com odor forte. Sobre o pé diabético, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Pessoas com diabetes mellitus apresentam uma incidência anual de úlceras nos pés de 30% e um risco de 70% em desenvolvê-las ao longo da vida.
  2. B) O pé diabético pode ter origem neuropática, vascular ou mista.
  3. C) As complicações por pé diabético raramente levam a amputações.
  4. D) A abordagem educativa das pessoas com diabetes mellitus para a prevenção da ocorrência de ulcerações nos pés não é efetiva na prevenção das feridas.

Pérola Clínica

Pé diabético: etiologia neuropática, vascular ou mista. Prevenção e educação são cruciais.

Resumo-Chave

O pé diabético é uma complicação grave do diabetes mellitus, resultante da interação complexa entre neuropatia (sensorial, motora e autonômica) e doença arterial periférica, que pode levar a úlceras, infecções e amputações.

Contexto Educacional

O pé diabético é uma das complicações mais devastadoras do diabetes mellitus, com alta morbidade e mortalidade. Estima-se que 15-25% dos pacientes diabéticos desenvolverão uma úlcera no pé ao longo da vida, e essas úlceras são a principal causa de amputações não traumáticas de membros inferiores. A condição é multifatorial, resultando da interação complexa entre neuropatia diabética, doença arterial periférica e infecção. A fisiopatologia envolve principalmente a neuropatia diabética, que pode ser sensorial (perda da sensibilidade protetora, levando a traumas não percebidos), motora (atrofia dos músculos intrínsecos do pé, causando deformidades como dedos em martelo e proeminências ósseas) e autonômica (disfunção da sudorese, ressecamento da pele e formação de fissuras). A doença arterial periférica (DAP) contribui com a isquemia, comprometendo a cicatrização de feridas e aumentando o risco de infecção e necrose. O diagnóstico e manejo do pé diabético requerem uma abordagem multidisciplinar. A prevenção é a chave, incluindo educação do paciente sobre autocuidados, inspeção diária dos pés, uso de calçados adequados e avaliação regular da sensibilidade e pulsos. O tratamento de úlceras envolve desbridamento, controle da infecção (com antibioticoterapia direcionada), revascularização se houver isquemia significativa e alívio da pressão. A intervenção precoce é fundamental para evitar amputações e melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas do desenvolvimento do pé diabético?

O pé diabético é causado principalmente pela neuropatia diabética (sensorial, motora e autonômica) e pela doença arterial periférica (macroangiopatia), que podem ocorrer isoladamente ou, mais frequentemente, em combinação.

Como a neuropatia diabética contribui para as úlceras no pé?

A neuropatia sensorial impede o paciente de sentir dor ou pressão, levando a lesões não percebidas. A neuropatia motora causa deformidades ósseas, alterando pontos de pressão. A autonômica afeta a sudorese, ressecando a pele e facilitando fissuras.

Qual a importância da educação do paciente na prevenção do pé diabético?

A educação é fundamental para a prevenção, ensinando o paciente a inspecionar os pés diariamente, usar calçados adequados, evitar traumas e procurar atendimento médico ao menor sinal de lesão, reduzindo significativamente o risco de úlceras e amputações.

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