HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2022
Um paciente de 53 anos de idade, portador de diabetes, foi admitido em uma unidade coronariana por angina instável. Previamente ao cateterismo, fez uso de tirofiban por 72 horas, seguindo a realização do exame que apresentou elevada carga trombótica e lesão em artéria descendente anterior. Começou a sentir dor e apresentar edema articular de moderada intensidade em tornozelo e calcanhar esquerdo. Foi realizada dosagem de ácido úrico e determinado o diagnóstico de hiperuricemia. O paciente refere ter gota e fazer medicação previamente à internação.Em relação a esse caso clínico e à gota, assinale a alternativa correta.
Crise aguda de gota → AINEs ou colchicina. Não suspender tratamento cardíaco por gota.
Em um paciente com angina instável e crise aguda de gota, o tratamento da gota deve ser iniciado com anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) por curto período ou colchicina, sem a necessidade de suspender procedimentos cardíacos urgentes. A hidratação é importante, mas não adia o tratamento da gota.
A gota é uma doença inflamatória causada pela deposição de cristais de monourato de sódio em articulações e tecidos, resultante da hiperuricemia. As crises agudas de gota são caracterizadas por dor intensa, eritema, calor e inchaço em uma ou mais articulações, sendo o hálux a mais comum. O manejo de pacientes com gota e comorbidades cardíacas, como angina instável, exige atenção especial. Em um cenário de crise aguda de gota em paciente com angina instável, o tratamento da gota deve ser iniciado prontamente. Anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) são a primeira linha, mas devem ser usados com cautela em pacientes com doença cardíaca devido ao risco cardiovascular e renal. A colchicina é uma alternativa segura e eficaz, especialmente se iniciada nas primeiras 24-36 horas. Corticosteroides podem ser considerados em casos refratários ou com contraindicações aos AINEs e colchicina. A hidratação adequada é sempre benéfica. É fundamental que o tratamento da gota não atrase ou comprometa o manejo da condição cardíaca aguda. A angioplastia, se indicada, deve prosseguir. Após a resolução da crise aguda, deve-se considerar o tratamento hipouricemiante (alopurinol, febuxostat) para prevenir futuras crises, sempre avaliando as interações medicamentosas e comorbidades. A associação de inibidores da xantina oxidase com benzbromarona pode ser usada se o alvo sérico de ácido úrico não for alcançado com monoterapia.
A conduta inicial inclui o uso de anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) por um período curto (5-7 dias) ou colchicina, que são eficazes na redução da inflamação e dor. Corticosteroides também podem ser usados em casos específicos.
Não, a crise aguda de gota geralmente não contraindica procedimentos cardíacos urgentes. O tratamento da gota deve ser iniciado em paralelo, mas a condição cardíaca tem prioridade para evitar complicações graves.
A hidratação adequada ajuda na excreção renal do ácido úrico e pode prevenir a formação de cálculos renais, que são uma complicação da hiperuricemia. Além disso, auxilia na diluição de medicamentos e na saúde geral do paciente.
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