TRALI: Reconhecimento e Manejo de Reações Transfusionais

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2023

Enunciado

Um paciente portador de cirrose alcoólica foi admitido na UTI após apresentar hemorragia varicosa que se desenvolveu no terceiro dia de tratamento de peritonite bacteriana espontânea. Após estabilização hemodinâmica e realização de endoscopia, estava recebendo a segunda unidade de concentrado de hemácias, quando passou a apresentar febre, calafrios e dispneia. Rapidamente evoluiu com grave insuficiência respiratória hipoxêmica e, durante a intubação orotraqueal, foi observada uma secreção rósea espumosa em vias aéreas. Sobre o quadro descrito, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) A causa provável da insuficiência respiratória é sepse de foco abdominal
  2. B) Devem-se evitar novas hemotransfusões por um período de 120 dias em pacientes que sobrevivem a essa complicação.
  3. C) Antecedente de múltiplas transfusões é fator de risco para essa complicação.
  4. D) O banco de sangue deve ser notificado para que possa identificar o doador e impedi-lo de realizar novas doações de sangue.
  5. E) Após a intubação orotraqueal, é possível dar prosseguimento àquela hemotransfusão, desde que seja descartada a hipótese de hipervolemia.

Pérola Clínica

Insuficiência respiratória aguda + edema pulmonar não cardiogênico em 6h pós-transfusão → TRALI. Notificar banco de sangue.

Resumo-Chave

O quadro descrito (febre, calafrios, dispneia, insuficiência respiratória hipoxêmica grave com secreção rósea espumosa, após transfusão) é altamente sugestivo de TRALI. Esta é uma emergência médica que exige suporte respiratório e a notificação imediata ao banco de sangue para investigação do doador e prevenção de futuras ocorrências.

Contexto Educacional

A TRALI (Transfusion Related Acute Lung Injury) é uma das reações transfusionais mais graves, caracterizada por insuficiência respiratória aguda e edema pulmonar não cardiogênico que se desenvolve dentro de 6 horas após a transfusão. O quadro clínico inclui febre, calafrios, dispneia, hipoxemia e infiltrados pulmonares bilaterais. A fisiopatologia envolve a ativação de neutrófilos pulmonares por anticorpos anti-HLA ou anti-neutrófilos presentes no plasma do doador, ou por mediadores biológicos acumulados em produtos sanguíneos armazenados. Isso leva a um aumento da permeabilidade capilar pulmonar e extravasamento de fluido para os alvéolos, resultando em edema pulmonar e hipoxemia. O manejo da TRALI é de suporte, com foco na ventilação e oxigenação. É fundamental interromper a transfusão imediatamente e notificar o banco de sangue. A investigação do doador é essencial para identificar e excluir doadores de alto risco (como mulheres multíparas com anticorpos anti-HLA) de futuras doações de componentes plasmáticos, visando a prevenção de novos eventos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais diferenciais de insuficiência respiratória aguda pós-transfusão?

Os principais diferenciais incluem TRALI, TACO (Transfusion Associated Circulatory Overload), reação alérgica grave, sepse e embolia pulmonar.

Qual a importância da notificação ao banco de sangue em casos de TRALI?

A notificação é crucial para que o banco de sangue possa investigar o doador (especialmente se for multípara ou tiver histórico de transfusões) e, se necessário, excluí-lo de futuras doações de componentes plasmáticos para prevenir novos casos de TRALI.

Quais medidas de suporte são necessárias para um paciente com TRALI?

O manejo é principalmente de suporte, incluindo oxigenoterapia, ventilação mecânica invasiva ou não invasiva para hipoxemia grave, e tratamento de qualquer hipotensão. Não há tratamento específico além do suporte.

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