Diarreia Aguda Pediátrica: Manejo e Agentes Causadores

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015

Enunciado

A diarreia aguda é uma síndrome de má absorção de água e eletrólitos de etiologia infecciosa na quase totalidade dos casos, com grande impacto na morbimortalidade, principalmente na faixa etária pediátrica. Em relação à diarreia aguda em crianças, pode- se afirmar que:

Alternativas

  1. A) A concentração fecal de sódio e potássio nas fezes decorrentes de infecção por rotavírus é superior à apresentada pela infecção por Escherichia coli enteropatogênica clássica.
  2. B) A intensidade da febre, a incidência de vômitos, a dor e distensão abdominais e o grau de desidratação são dados clínicos que diferenciam diarreia de etiologia viral daquela de origem bacteriana.
  3. C) A resolução de um quadro diarreico não assegura o clareamento intestinal do agente causador, principalmente em casos de bactérias enteroinvasivas.
  4. D) Os diferentes subtipos de Escherichia coli têm mecanismos patogênicos distintos, mas todos causam uma secreção hidrossalina comparáveis em seus valores.
  5. E) A hidratação oral deve ser indicada apenas nos casos que não apresentam desidratação ("plano A"), reservando a hidratação venosa para os que tem algum grau de desidratação ("planos B e C").

Pérola Clínica

Diarreia resolvida não garante erradicação do agente, especialmente bactérias enteroinvasivas → portador assintomático.

Resumo-Chave

Mesmo após a melhora clínica da diarreia, bactérias enteroinvasivas como Salmonella ou Shigella podem persistir no trato gastrointestinal, tornando o indivíduo um portador assintomático e potencial fonte de infecção. Isso é crucial para a saúde pública e controle de surtos.

Contexto Educacional

A diarreia aguda em crianças é uma das principais causas de morbimortalidade global, especialmente em países em desenvolvimento. Caracterizada pela perda excessiva de água e eletrólitos, sua etiologia é predominantemente infecciosa, com destaque para agentes virais como o Rotavírus e bacterianos como a Escherichia coli e espécies de Salmonella e Shigella. O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são cruciais para prevenir a desidratação grave e suas complicações. A fisiopatologia varia conforme o agente, desde a secreção de toxinas que alteram o transporte de íons (E. coli enterotoxigênica) até a invasão da mucosa intestinal (Shigella, Salmonella). O diagnóstico é primariamente clínico, avaliando o grau de desidratação. Exames complementares são reservados para casos graves, diarreia persistente ou suspeita de etiologia específica. É fundamental suspeitar de etiologia bacteriana em casos com febre alta, sangue nas fezes ou comprometimento do estado geral. O tratamento baseia-se na hidratação, preferencialmente oral, com soluções de reidratação oral (SRO). Antibióticos são indicados apenas em casos selecionados de diarreia bacteriana invasiva. É importante ressaltar que a resolução dos sintomas diarreicos não implica necessariamente o clareamento do agente infeccioso do trato intestinal, especialmente para bactérias enteroinvasivas, que podem levar ao estado de portador assintomático, com implicações epidemiológicas significativas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais agentes etiológicos da diarreia aguda em crianças?

Os principais agentes são virais (rotavírus, norovírus) e bacterianos (E. coli, Salmonella, Shigella, Campylobacter), sendo os virais mais comuns na faixa etária pediátrica.

Por que a hidratação oral é a principal conduta na diarreia aguda pediátrica?

A hidratação oral é eficaz na maioria dos casos de desidratação leve a moderada, repondo água e eletrólitos de forma segura e fisiológica, prevenindo a progressão para desidratação grave.

Como diferenciar clinicamente uma diarreia viral de uma bacteriana em crianças?

Diarreias virais tendem a ter mais vômitos e febre, enquanto as bacterianas podem apresentar fezes com sangue/muco, dor abdominal intensa e maior risco de desidratação grave. No entanto, a diferenciação definitiva requer exames laboratoriais.

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