MedEvo Simulado — Prova 2026
Benedito, 52 anos, residente em uma comunidade quilombola de difícil acesso, procura a Unidade Básica de Saúde devido a níveis pressóricos elevados e dores articulares crônicas. Durante a consulta, o médico observa que o paciente possui traço falciforme conhecido e relata dificuldades históricas de sua comunidade em acessar serviços especializados. Ao discutir o plano terapêutico e as políticas de saúde envolvidas no cuidado desse paciente, considerando a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNAIPH) e os determinantes sociais de saúde, assinale a alternativa correta.
Racismo institucional = determinante social; PNAIPH foca em equidade e doenças prevalentes (ex: falciforme).
A PNAIPH reconhece o racismo como determinante social, exigindo ações específicas para condições prevalentes na população negra, como anemia falciforme e HAS, visando a equidade.
A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNAIPH) é um marco na gestão do SUS, fundamentada no princípio da equidade. Ela rompe com a ideia de uma universalidade 'cega', que ignora as particularidades históricas e sociais, ao afirmar que tratar todos da mesma forma pode perpetuar desigualdades se as necessidades de base forem diferentes. O reconhecimento do racismo institucional como um determinante social é crucial para a prática médica, pois exige que o profissional esteja atento a vieses que podem comprometer o diagnóstico e o tratamento. Na prática clínica, isso se traduz na busca ativa por condições prevalentes, como a anemia falciforme em pacientes com dores articulares ou anemia crônica, e no controle rigoroso da pressão arterial. Além disso, o preenchimento correto do quesito raça/cor nos sistemas de informação (como o SISVAN ou SINAN) não é uma burocracia, mas uma ferramenta epidemiológica que permite identificar onde as políticas públicas estão falhando e onde os recursos devem ser alocados para reduzir a morbimortalidade da população negra.
A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNAIPH) é uma diretriz do SUS que visa combater a desigualdade étnico-racial no acesso e na qualidade da assistência. Seu objetivo principal é garantir a equidade em saúde, reconhecendo que o racismo institucional e os determinantes sociais impactam diretamente o processo saúde-doença dessa população. Ela estabelece metas para o cuidado de patologias com maior prevalência ou agravamento nesse grupo, como a anemia falciforme, hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus, além de promover a coleta de dados de raça/cor para monitoramento epidemiológico.
O racismo institucional é definido como o fracasso coletivo de uma organização em prover um serviço profissional e adequado a pessoas por causa de sua cor, cultura ou origem étnica. Na saúde, ele se manifesta através de barreiras no acesso, menor tempo de consulta, menor oferta de analgésicos ou exames diagnósticos e desconsideração de saberes tradicionais. A PNAIPH identifica esse fenômeno como um determinante social de saúde que gera iniquidades, exigindo que gestores e profissionais implementem mecanismos de escuta e protocolos que mitiguem esses vieses implícitos.
A política destaca condições genéticas e socioepidemiológicas mais comuns na população negra. Entre as genéticas, a anemia falciforme é a principal, exigindo diagnóstico precoce via teste do pezinho e manejo especializado. Entre as socioepidemiológicas, destacam-se a hipertensão arterial sistêmica (que tende a ser mais grave e precoce), o diabetes mellitus tipo 2 e a deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase. Além disso, a política aborda a saúde mental e a saúde reprodutiva, focando na redução da mortalidade materna, que é desproporcionalmente maior entre mulheres negras.
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