UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2018
Na Unidade de Saúde da Família em que você atua como médico(a), você é convidado(a) pela Agente Comunitária de Saúde (ACS) para fazer visita domiciliar para usuária que tem 28 anos de idade, ensino superior completo e pós-graduação em andamento, e seu filho, Miguel, nascido há 20 dias (recém-nascido termo; peso ao nascer = 3.500g). Você não acompanhou seu Pré-Natal nem a consulta do binômio. Segundo a ACS, até o momento, Miguel não recebeu nenhuma vacina visto que a mãe disse que: "A criança acaba de nascer e, ao invés de ir mamar e se fortalecer, vão lá e aplicam um vírus cheio de mercúrio no bebê. Eu não vou vacinar meu filho!". Você identifica um grupo de pais contrários à vacinação de seus filhos e elabora uma ação de Educação Popular em Saúde para trabalhar essa temática. Tendo em vista os princípios da Educação Popular em Saúde, expressos pela Política Nacional de Educação Popular em Saúde no SUS (PNEPS- SUS), o que você deve levar em conta para construir e executar essa ação? Marque a alternativa CORRETA.
Educação Popular em Saúde = Diálogo + Construção compartilhada + Emancipação (sem imposição).
A PNEPS-SUS preconiza o diálogo e a problematização da realidade para transformar práticas de saúde, rejeitando a imposição autoritária de condutas, mesmo em casos de hesitação vacinal.
A Política Nacional de Educação Popular em Saúde no SUS (PNEPS-SUS) é um marco para a humanização e democratização das práticas de saúde no Brasil. Ela se baseia na pedagogia de Paulo Freire, onde o processo educativo é uma via de mão dupla. No contexto da Estratégia Saúde da Família, essa abordagem é essencial para lidar com conflitos culturais e desinformação, como o movimento antivacina. Em vez de uma postura punitiva ou meramente informativa, o médico deve atuar como facilitador de um processo reflexivo. Isso envolve escuta ativa e validação dos sentimentos do usuário, seguidas pela apresentação de evidências científicas de forma acessível e contextualizada. O objetivo final é a emancipação do sujeito, permitindo que ele faça escolhas saudáveis baseadas na compreensão crítica, e não apenas na obediência a normas sanitárias.
Os princípios incluem o diálogo, a amorosidade, a problematização, a construção compartilhada do conhecimento, a emancipação e o compromisso com a justiça social. Diferente da educação em saúde tradicional, que foca na transmissão vertical de informações, a educação popular busca a horizontalidade e o reconhecimento dos saberes prévios dos usuários para uma transformação crítica da realidade.
A abordagem deve evitar a imposição e o julgamento. O profissional deve utilizar o diálogo para compreender as percepções e medos da família, problematizando as informações (como fake news sobre mercúrio) de forma a construir um conhecimento crítico compartilhado que leve à decisão consciente pela vacinação, respeitando a autonomia mas visando a saúde coletiva.
A palestra técnica é frequentemente unidirecional, onde o detentor do saber 'ensina' o leigo. Já a problematização parte da realidade vivida pelo sujeito, incentivando a análise crítica das causas e consequências de determinados comportamentos ou situações de saúde, promovendo a autonomia e a transformação social através da reflexão conjunta entre profissional e comunidade.
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