SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
A proposição da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem visa qualificar a saúde da população masculina na perspectiva de linhas de cuidado que resguardem a integralidade da atenção.Com relação à vulnerabilidade para doenças, quanto ao gênero, no Brasil, podemos dizer que:
Homens morrem mais precocemente e buscam menos a atenção primária que mulheres → ↑ vulnerabilidade.
A PNAISH reconhece que a população masculina apresenta maior morbimortalidade por causas evitáveis, frequentemente devido a barreiras culturais e institucionais no acesso à saúde.
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), instituída em 2009, surge como uma resposta aos indicadores de saúde que demonstram uma resistência histórica do público masculino em procurar os serviços de Atenção Primária à Saúde (APS). A construção social da masculinidade muitas vezes impõe barreiras ao autocuidado, levando a um perfil de morbimortalidade caracterizado por mortes precoces e doenças crônicas evitáveis. No contexto epidemiológico brasileiro, a vulnerabilidade masculina é evidenciada pela maior incidência de óbitos por causas externas e doenças cardiovasculares em comparação às mulheres. A PNAISH propõe uma mudança de paradigma, incentivando o sistema de saúde a se tornar mais acolhedor para o homem, reconhecendo suas especificidades laborais e culturais para garantir a integralidade do cuidado prevista nos princípios do SUS.
A vulnerabilidade masculina é multifatorial, envolvendo barreiras socioculturais onde o autocuidado é frequentemente visto como sinal de fragilidade ou incompatível com o papel social do provedor. Homens tendem a acessar o sistema de saúde predominantemente através da rede de urgência e emergência, negligenciando a atenção primária e as ações preventivas. Esse comportamento resulta em diagnósticos tardios de doenças crônicas não transmissíveis e maior exposição a riscos externos, como violência e acidentes de trânsito. A PNAISH busca mitigar esse cenário promovendo o acesso facilitado, horários estendidos e o foco na prevenção específica para o público masculino.
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem estrutura-se em cinco eixos principais: Acesso e Acolhimento, que visa aproximar o homem das unidades de saúde; Saúde Sexual e Reprodutiva, focando em paternidade responsável e prevenção de ISTs; Paternidade e Cuidado, incentivando o envolvimento ativo no ciclo gravídico-puerperal; Doenças Prevalentes na População Masculina, abordando condições como câncer de próstata e doenças cardiovasculares; e Prevenção de Violências e Acidentes, dado o alto impacto das causas externas na mortalidade jovem masculina.
Estatisticamente, os homens brasileiros vivem, em média, sete anos menos que as mulheres. A mortalidade masculina é superior em quase todas as faixas etárias, especialmente entre jovens de 15 a 29 anos, devido a causas externas (homicídios e acidentes). Além disso, os homens apresentam taxas de mortalidade mais elevadas por doenças cardiovasculares, neoplasias e doenças do aparelho respiratório, muitas vezes por não aderirem ao tratamento contínuo ou por buscarem auxílio médico apenas em estágios avançados das patologias, o que justifica as estratégias de busca ativa propostas pela PNAISH.
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