MedEvo Simulado — Prova 2026
Em uma Unidade Básica de Saúde da Família, a equipe de saúde recebe a informação de que um grupo de aproximadamente trinta famílias de trabalhadores rurais temporários se estabeleceu em um acampamento improvisado em uma área de mata nos limites do território adscrito. Durante a reunião de equipe, alguns membros questionam a obrigatoriedade do atendimento, alegando que essas pessoas não possuem comprovante de residência, não estão cadastradas no sistema municipal e que a demanda espontânea da unidade já está sobrecarregada com os moradores fixos. Diante das diretrizes da Política Nacional de Atenção Básica e dos fundamentos da Atenção Primária à Saúde, assinale a alternativa que apresenta a conduta correta a ser adotada pela equipe.
Acesso na APS = Universalidade + Territorialização → Atendimento imediato independente de comprovante de residência.
A Atenção Primária deve garantir o acesso universal e equânime, realizando o cadastramento de populações nômades ou temporárias para assegurar a continuidade do cuidado e a vigilância em saúde no território.
A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) estabelece que a Atenção Primária é a porta de entrada preferencial e o centro de comunicação da Rede de Atenção à Saúde. Os princípios de universalidade, acessibilidade e equidade exigem que o sistema de saúde seja inclusivo. A territorialização não deve ser vista como uma barreira administrativa para limitar o atendimento aos 'moradores fixos', mas sim como uma estratégia de organização para que a equipe conheça e se responsabilize por todas as vidas presentes em sua área de atuação. Em cenários de vulnerabilidade, como o de trabalhadores rurais temporários em acampamentos, a atuação da Estratégia Saúde da Família é vital para a vigilância em saúde. Negar o atendimento ou exigir documentação excessiva ignora a realidade social brasileira e fere as diretrizes éticas e legais do SUS. O acolhimento e o cadastramento imediato são passos fundamentais para garantir que o Estado cumpra seu dever de prover saúde a todos, independentemente de sua condição de moradia ou vínculo formal com o município.
Não. De acordo com a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) e os princípios fundamentais do SUS, o acesso deve ser universal e sem barreiras burocráticas. A ausência de comprovante de residência, de documento de identidade ou de cadastro prévio no sistema municipal não pode ser utilizada como justificativa para negar atendimento. O SUS deve acolher qualquer cidadão que procure o serviço, especialmente populações em situação de vulnerabilidade, nômades ou trabalhadores temporários, garantindo o direito constitucional à saúde.
A territorialização implica que a equipe de saúde da família é responsável por todas as pessoas que se encontram em seu território adscrito, independentemente do tempo de permanência ou da natureza da moradia. Para grupos temporários, como trabalhadores rurais ou acampados, a equipe deve realizar a busca ativa e o cadastramento imediato. O objetivo é estabelecer um vínculo de cuidado e monitoramento epidemiológico enquanto essas pessoas estiverem na área, garantindo que não fiquem excluídas das ações de promoção e prevenção da unidade.
A eSF deve integrar essas novas famílias ao planejamento das ações da unidade de forma proativa. Isso inclui o cadastramento imediato no sistema e-SUS, a identificação de riscos prioritários (como gestantes sem pré-natal, crianças com vacinação atrasada ou pacientes com doenças infectocontagiosas) e a garantia do cuidado longitudinal. A equipe deve atuar de forma a reduzir as desigualdades, aplicando o princípio da equidade para oferecer mais recursos e atenção àqueles que se encontram em situações de maior risco social e sanitário.
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