Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2025
Um homem de 58 anos apresenta fraqueza progressiva nos membros inferiores, associada a parestesias nos pés e tornozelos há seis meses. O exame físico revela: - Força muscular diminuída (4/5) em dorsiflexão e extensão dos pés. - Reflexos aquileus ausentes e reflexos patelares diminuídos. - Sensibilidade vibratória e proprioceptiva reduzidas nos pés. - O eletromiograma mostra evidências de desmielinização difusa em nervos periféricos com condução nervosa lenta. O exame laboratorial revela glicemia de jejum elevado e HbA1c de 8,2%. Com base no quadro clínico, qual é o diagnóstico mais provável?
PDIC → fraqueza progressiva > 8 semanas, desmielinização difusa, reflexos ↓/ausentes.
A PDIC é uma neuropatia imunomediada caracterizada por fraqueza progressiva e simétrica, com duração superior a 8 semanas, e evidência eletrofisiológica de desmielinização. A presença de diabetes pode ser um fator confundidor, mas a desmielinização difusa e a cronicidade favorecem PDIC sobre neuropatia diabética típica.
A Polirradiculopatia Inflamatória Crônica Desmielinizante (PDIC) é uma neuropatia periférica imunomediada rara, mas importante, caracterizada por fraqueza progressiva e simétrica, e déficits sensitivos. Sua prevalência é estimada em 1 a 7 por 100.000 pessoas, sendo crucial o diagnóstico precoce devido à sua tratabilidade. É uma das principais causas de neuropatia adquirida crônica. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune contra a mielina dos nervos periféricos, levando à desmielinização e bloqueio da condução nervosa. O diagnóstico é baseado na clínica (fraqueza progressiva > 8 semanas, arreflexia/hiporreflexia), eletroneuromiografia (evidência de desmielinização em múltiplos nervos) e, por vezes, análise do líquor (dissociação albuminocitológica). É fundamental suspeitar em pacientes com neuropatia progressiva que não se encaixam em causas mais comuns. O tratamento da PDIC visa suprimir a resposta autoimune e inclui corticosteroides, imunoglobulina intravenosa (IVIg) e plasmaférese. O prognóstico é variável, mas muitos pacientes respondem bem à terapia, embora alguns necessitem de tratamento de manutenção. O manejo de comorbidades, como o diabetes, é essencial para otimizar os resultados e evitar confusões diagnósticas.
Os critérios incluem fraqueza progressiva e simétrica por mais de 8 semanas, arreflexia ou hiporreflexia, e evidência eletrofisiológica de desmielinização em pelo menos dois nervos.
A principal diferença é a cronicidade: SGB tem progressão aguda (até 4 semanas), enquanto PDIC é crônica (mais de 8 semanas) ou recorrente.
O diabetes pode causar neuropatia, mas a presença de desmielinização difusa e a progressão crônica atípica para neuropatia diabética comum devem levantar a suspeita de PDIC, que pode coexistir ou ser exacerbada pelo diabetes.
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