Polirradiculoneuropatia Pediátrica: Sinais e Diagnóstico

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Criança de 7 anos, após episódio de gastroenterite e febrícula, iniciou com quadro de cansaço e diminuição de força nas pernas com manifestações ascendentes, contínuas, simétricas e progressivas. Tem apresentado perda do controle esfincteriano, hiporreflexia tendinosa profunda e hipertensão arterial. A mais provável hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Polirradiculoneuropatia.
  2. B) Poliomielite.
  3. C) Miastenia gravis.
  4. D) Mielite transversa aguda.
  5. E) Polimiosite aguda.

Pérola Clínica

Criança com fraqueza ascendente, simétrica, progressiva, hiporreflexia e disfunção autonômica (hipertensão, esfincteriana) após gastroenterite = Polirradiculoneuropatia (SGB).

Resumo-Chave

O quadro clínico de fraqueza muscular ascendente, simétrica e progressiva, associada a hiporreflexia e disfunções autonômicas (esfincteriana, hipertensão), precedido por gastroenterite, é altamente sugestivo de Polirradiculoneuropatia, sendo a Síndrome de Guillain-Barré a causa mais comum.

Contexto Educacional

A polirradiculoneuropatia é uma condição neurológica caracterizada pela inflamação e desmielinização dos nervos periféricos e raízes nervosas, resultando em fraqueza muscular. A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é a forma mais comum de polirradiculoneuropatia aguda, frequentemente desencadeada por uma infecção prévia, como gastroenterite ou infecção respiratória. A epidemiologia mostra que pode afetar qualquer idade, mas é mais comum em adultos jovens e idosos, embora também ocorra em crianças. O quadro clínico típico envolve fraqueza muscular progressiva, simétrica e ascendente, que pode variar de leve a grave, levando à paralisia completa e insuficiência respiratória. A hiporreflexia ou arreflexia é um achado cardinal. Disfunções autonômicas, como alterações da pressão arterial (hipertensão ou hipotensão), arritmias cardíacas e disfunção esfincteriana, são comuns e podem ser graves. O diagnóstico é clínico, suportado por análise do líquor (dissociação albumino-citológica) e eletroneuromiografia. O tratamento inclui imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou plasmaférese, que podem encurtar a duração e gravidade da doença. O suporte intensivo é fundamental para monitorar e manejar complicações respiratórias e autonômicas. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria dos pacientes recuperando-se completamente, mas alguns podem ter sequelas residuais.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas que sugerem uma polirradiculoneuropatia em crianças?

As características incluem fraqueza muscular progressiva, simétrica e ascendente, hiporreflexia ou arreflexia, e frequentemente disfunções autonômicas como alterações da pressão arterial, arritmias e disfunção esfincteriana, muitas vezes precedidas por uma infecção.

Como a polirradiculoneuropatia se diferencia de outras causas de fraqueza muscular em crianças?

Diferencia-se pela natureza ascendente e simétrica da fraqueza, pela hiporreflexia/arreflexia e pela ausência de sinais piramidais. A mielite transversa, por exemplo, causa fraqueza com nível sensitivo e hiperreflexia abaixo da lesão.

Qual a importância da história de gastroenterite prévia no diagnóstico de polirradiculoneuropatia?

A gastroenterite prévia, especialmente por Campylobacter jejuni, é um gatilho comum para a Síndrome de Guillain-Barré, a forma mais frequente de polirradiculoneuropatia aguda, devido a um mecanismo autoimune.

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