Polipose Adenomatosa Familiar: Herança e Manejo Cirúrgico

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2022

Enunciado

Sobre a polipose adenomatosa familiar (PAF), atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.(   ) O tratamento cirúrgico de escolha é a proctocolectomia total, com confecção de bolsa ileal, e anastomose, com canal anal.(   ) É de transmissão autossômica recessiva.(   ) Pacientes com PAF podem apresentar pólipos gástricos associados, porém a maior parte representa uma hiperplasia das glândulas fúndicas.(   ) Ao contrário dos pólipos gástricos, os pólipos duodenais, quando ocorrem, devem ser considerados como pré-malignos.(   ) O gene da mutação é expresso em 50% dos pacientes com a mutação.Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.

Alternativas

  1. A) V, V, F, F, F
  2. B) V, F, V, V, F. 
  3. C) V, F, F, F, V.
  4. D) F, V, F, V, V.
  5. E)  F, F, V, F, V

Pérola Clínica

PAF → autossômica dominante, proctocolectomia total com bolsa ileal é o tratamento cirúrgico padrão; pólipos duodenais são pré-malignos.

Resumo-Chave

A Polipose Adenomatosa Familiar (PAF) é uma síndrome hereditária autossômica dominante, caracterizada pelo desenvolvimento de centenas a milhares de pólipos adenomatosos no cólon e reto, com risco quase 100% de progressão para câncer colorretal. O tratamento cirúrgico de escolha é a proctocolectomia total com bolsa ileal e anastomose ileoanal. Pólipos duodenais são pré-malignos e requerem vigilância, enquanto os gástricos são geralmente benignos (hiperplasia de glândulas fúndicas).

Contexto Educacional

A Polipose Adenomatosa Familiar (PAF) é uma síndrome hereditária rara, mas de grande importância clínica, caracterizada pelo desenvolvimento de centenas a milhares de pólipos adenomatosos no cólon e reto, com um risco quase 100% de progressão para câncer colorretal se não tratada. É uma doença de transmissão autossômica dominante, causada por mutações no gene APC (Adenomatous Polyposis Coli), localizado no cromossomo 5q21. A penetrância da mutação é quase completa, o que significa que a maioria dos indivíduos com a mutação desenvolverá a doença. O diagnóstico é feito pela presença de mais de 100 pólipos adenomatosos no cólon ou pela identificação da mutação no gene APC em um indivíduo com menos pólipos, mas com histórico familiar. A vigilância endoscópica deve começar na adolescência. Além das manifestações colônicas, a PAF pode apresentar manifestações extracolônicas, como pólipos gástricos (geralmente hiperplásicos das glândulas fúndicas, com baixo potencial maligno) e pólipos duodenais (especialmente na ampola de Vater), que são considerados pré-malignos e requerem vigilância endoscópica regular. O tratamento cirúrgico é mandatório e profilático, visando prevenir o câncer colorretal. A proctocolectomia total com confecção de bolsa ileal e anastomose ileoanal é o procedimento de escolha, pois remove todo o tecido colônico e retal em risco, preservando a função esfincteriana. Outras opções incluem colectomia total com anastomose ileorretal (se o reto estiver minimamente afetado e puder ser vigiado intensivamente) ou colectomia total com ileostomia terminal. O manejo deve ser multidisciplinar, incluindo gastroenterologistas, cirurgiões e geneticistas.

Perguntas Frequentes

Qual o padrão de herança da Polipose Adenomatosa Familiar (PAF) e qual o gene envolvido?

A PAF é uma doença de herança autossômica dominante, causada por mutações no gene APC (Adenomatous Polyposis Coli), localizado no cromossomo 5q21.

Qual o tratamento cirúrgico de escolha para pacientes com Polipose Adenomatosa Familiar?

O tratamento cirúrgico de escolha é a proctocolectomia total com confecção de bolsa ileal e anastomose ileoanal, visando remover todo o cólon e reto para prevenir o câncer colorretal.

Quais são as manifestações extracolônicas da PAF e sua relevância clínica?

Pacientes com PAF podem apresentar pólipos gástricos (geralmente hiperplásicos e benignos) e duodenais (com potencial pré-maligno, exigindo vigilância). Outras manifestações incluem osteomas, tumores desmoides e anomalias dentárias.

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