CHRPE Atípica e Polipose Adenomatosa Familiar (FAP)

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008

Enunciado

A hiperplasia congênita benigna do epitélio pigmentar da retina apresenta-se sob duas formas: típica e atípica. A forma atípica é caracterizada por múltiplas lesões bilaterais pigmentadas e pode estar associada a qual doença sistêmica?

Alternativas

  1. A) Doença de Crohn
  2. B) Retocolite ulcerativa
  3. C) Anemia perniciosa
  4. D) Polipose adenomatosa familiar

Pérola Clínica

CHRPE atípica (múltiplas, bilaterais, pisciformes) → Investigar Polipose Adenomatosa Familiar.

Resumo-Chave

Enquanto a CHRPE típica é solitária e benigna, a forma atípica serve como marcador fenotípico para mutações no gene APC, precedendo pólipos intestinais.

Contexto Educacional

A hiperplasia congênita do epitélio pigmentar da retina (CHRPE) é uma condição benigna, mas sua morfologia dita o prognóstico sistêmico. A variante atípica é caracterizada por lesões menores, múltiplas, bilaterais e distribuídas aleatoriamente pelo fundo de olho. Fisiopatologicamente, essas lesões representam uma proliferação hamartomatosa do EPR. Na prática clínica, o reconhecimento do padrão 'pisciforme' é um 'red flag' para a Síndrome de Gardner (uma variante da FAP com osteomas e tumores de tecidos moles). A detecção precoce pelo oftalmologista pode ser o primeiro passo para o diagnóstico de uma condição com letalidade de quase 100% por malignidade colorretal se não monitorada.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre CHRPE típica e atípica?

A CHRPE típica é geralmente uma lesão única, unilateral, plana, pigmentada e com lacunas despigmentadas, sem associação sistêmica. Já a CHRPE atípica apresenta-se como múltiplas lesões bilaterais, frequentemente com formato 'pisciforme' (em forma de peixe) ou ovais, e está fortemente associada à Polipose Adenomatosa Familiar (PAF) e à Síndrome de Gardner, sendo um marcador precoce importante para o rastreio de câncer colorretal.

Por que a CHRPE atípica é um marcador para FAP?

A CHRPE atípica é considerada uma manifestação extraintestinal da Polipose Adenomatosa Familiar (FAP), causada por mutações no gene APC. A presença dessas lesões retinianas específicas tem um valor preditivo positivo muito alto para a presença da mutação genética, muitas vezes aparecendo anos antes do desenvolvimento dos pólipos adenomatosos no cólon, permitindo intervenção e vigilância precoces.

Como deve ser o manejo de um paciente com CHRPE atípica?

Diante do achado de múltiplas lesões bilaterais sugestivas de CHRPE atípica, o oftalmologista deve encaminhar o paciente para avaliação genética e gastroenterológica. O rastreio com colonoscopia é imperativo, pois quase 100% dos pacientes com FAP desenvolverão câncer colorretal se não forem tratados (geralmente com colectomia profilática). O acompanhamento familiar também é essencial devido ao padrão de herança autossômica dominante.

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