UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Paciente feminina, de 60 anos, assintomática, realizou ultrassonografia abdominal que identificou pólipo de 0,7 cm na vesícula biliar. Encontrava-se em tratamento para colangite esclerosante primária. Considerando o quadro, que conduta, dentre as abaixo, é a mais adequada?
Pólipo vesicular > 6 mm + CEP → colecistectomia devido alto risco de malignidade.
A presença de colangite esclerosante primária (CEP) é um fator de risco independente e significativo para o desenvolvimento de câncer de vesícula biliar. Pólipos vesiculares, mesmo pequenos (acima de 6 mm), em pacientes com CEP, justificam a colecistectomia devido ao risco aumentado de malignidade.
Pólipos de vesícula biliar são lesões elevadas da mucosa vesicular, frequentemente assintomáticas e descobertas incidentalmente em exames de imagem. A maioria é benigna (colesterolose, adenomiomatose), mas uma pequena porcentagem pode ser neoplásica (adenomas) ou ter potencial de malignidade, especialmente em certas condições de risco. A prevalência de pólipos vesiculares varia, mas o manejo adequado é crucial para evitar o diagnóstico tardio de câncer. A colangite esclerosante primária (CEP) é uma doença colestática crônica e progressiva que se caracteriza por inflamação e fibrose dos ductos biliares intra e/ou extra-hepáticos. Pacientes com CEP têm um risco significativamente aumentado de desenvolver câncer de vesícula biliar, colangiocarcinoma e câncer colorretal. Devido a essa associação, a presença de CEP modifica a abordagem de pólipos vesiculares, mesmo os de menor tamanho. A conduta para pólipos vesiculares depende do tamanho do pólipo e da presença de fatores de risco. Em pacientes com CEP, a indicação de colecistectomia é mais liberal, sendo recomendada para pólipos a partir de 6-7 mm, ou mesmo menores se houver crescimento documentado. O objetivo é prevenir o desenvolvimento de câncer de vesícula biliar, uma neoplasia agressiva com prognóstico reservado quando diagnosticada em estágios avançados.
Em pacientes sem fatores de risco, pólipos vesiculares geralmente são acompanhados se menores que 10 mm. A colecistectomia é considerada para pólipos maiores que 10 mm ou com crescimento rápido.
A CEP é uma doença inflamatória crônica das vias biliares que leva à estase biliar, inflamação crônica e displasia, fatores que predispõem ao desenvolvimento de colangiocarcinoma e câncer de vesícula biliar.
Outros fatores de risco incluem idade > 50 anos, pólipos sésseis, pólipos únicos, presença de cálculos biliares (síndrome de pólipo-cálculo) e sintomas como dor abdominal.
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