AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Durante avaliação de rotina, uma mulher de 63 anos, assintomática, realiza ultrassonografia abdominal que identifica imagem polipoide única na vesícula biliar, medindo 11 mm, sem sinais de colelitíase. A paciente não apresenta colangite esclerosante primária ou história familiar de câncer de vesícula. Exames laboratoriais estão normais. Com base nos critérios atuais, qual deve ser a conduta mais adequada?
Pólipo de vesícula biliar ≥ 10 mm → Indicação de colecistectomia pelo risco de malignidade.
Pólipos maiores que 10 mm possuem risco aumentado de adenocarcinoma. Em pacientes assintomáticos sem outros fatores de risco, este tamanho é o ponto de corte para intervenção cirúrgica.
O manejo dos pólipos de vesícula biliar é pautado no risco de transformação maligna em adenocarcinoma. A maioria dos pólipos detectados incidentalmente são pseudopólipos (colesterolose), mas o risco de neoplasia verdadeira aumenta significativamente quando a lesão ultrapassa 10 mm. Diretrizes recentes da ESGE e outras sociedades enfatizam que, na ausência de sintomas, o tamanho é o guia soberano para a decisão cirúrgica. Além do tamanho, o perfil do paciente é crucial. Pacientes com Colangite Esclerosante Primária têm um risco basal muito maior, justificando colecistectomia para qualquer pólipo detectado. Em pacientes idosos, a vigilância deve ser mais rigorosa, pois a incidência de câncer de vesícula aumenta com a idade. A colecistectomia laparoscópica eletiva é o padrão-ouro para o tratamento definitivo, visando a prevenção do câncer de vesícula biliar, que possui prognóstico reservado quando diagnosticado em estágios avançados.
As principais indicações incluem pólipos ≥ 10 mm, presença de sintomas biliares, associação com cálculos, idade > 60 anos, ou presença de Colangite Esclerosante Primária (CEP). Pólipos que apresentam crescimento rápido (> 2 mm em 1 ano) também devem ser considerados para cirurgia, mesmo que menores que 10 mm inicialmente, devido ao potencial de malignização.
Pólipos de colesterol costumam ser múltiplos, pequenos (< 10 mm) e pediculados, representando depósitos de lipídios. Pólipos neoplásicos (adenomas) tendem a ser únicos, maiores e sésseis. No entanto, a ultrassonografia nem sempre diferencia com precisão a histologia, por isso o tamanho de 10 mm é adotado mundialmente como o principal preditor de malignidade para guiar a conduta cirúrgica.
Para pólipos entre 6-9 mm sem fatores de risco, recomenda-se USG em 6 meses, depois anualmente por 5 anos. Se houver fatores de risco (idade > 60, CEP), o limiar para cirurgia pode cair para 6 mm. Pólipos ≤ 5 mm geralmente requerem menos vigilância, mas as diretrizes variam entre acompanhamento anual ou alta após estabilidade comprovada por exames seriados.
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