UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Mulher, 45 anos, assintomática, realiza ultrassonografia do abdome pré-admissional com o seguinte resultado: vesícula biliar de paredes finas contendo dois pólipos em seu interior (medida dos pólipos = 5 mm e 7 mm). Exame físico: ausência de dor abdominal. Exames laboratoriais: normais. Pode-se afirmar que a conduta mais adequada é:
Pólipo de vesícula < 10mm em paciente assintomático e sem fatores de risco → Seguimento com USG.
A maioria dos pólipos de vesícula biliar são pseudopólipos (colesterol) sem potencial maligno. A conduta cirúrgica é reservada para pólipos ≥ 10mm, pólipos sintomáticos ou aqueles com crescimento documentado e fatores de risco para neoplasia.
O manejo dos pólipos de vesícula biliar é um tema frequente na prática cirúrgica e gastroenterológica. A preocupação central é o risco de transformação em adenocarcinoma de vesícula biliar, uma neoplasia agressiva com prognóstico reservado. No entanto, a vasta maioria dos pólipos detectados incidentalmente são benignos, como pólipos de colesterol, inflamatórios ou adenomiomatose focal. As diretrizes da Sociedade Europeia de Radiologia Gastrointestinal e Abdominal (ESGAR) e outras sociedades sugerem que o tamanho é o preditor mais confiável de malignidade. Pólipos entre 6 e 9 mm em pacientes com fatores de risco (idade > 50 anos, história de CEP ou pólipo séssil) também podem ser candidatos à cirurgia precoce. Em pacientes assintomáticos com pólipos pequenos e sem riscos adicionais, a conduta conservadora com USG é segura e evita cirurgias desnecessárias.
As principais indicações para colecistectomia em pacientes com pólipos de vesícula biliar incluem: 1) Pólipos maiores ou iguais a 10 mm; 2) Pólipos de qualquer tamanho associados a sintomas (cólica biliar); 3) Pólipos em pacientes com mais de 50-60 anos; 4) Pólipos associados a cálculos biliares; 5) Pólipos com crescimento rápido documentado em exames de imagem; 6) Pacientes com colangite esclerosante primária (CEP), independentemente do tamanho do pólipo, devido ao alto risco de malignidade.
Para pólipos menores que 10 mm em pacientes assintomáticos e sem fatores de risco, a conduta é a observação com ultrassonografia seriada. Geralmente, recomenda-se repetir o USG em 6 meses e, se estável, anualmente por até 5 anos. Se o pólipo crescer mais de 2 mm ou atingir 10 mm durante o seguimento, a colecistectomia deve ser considerada. Pólipos menores que 5 mm e sem fatores de risco podem ter um seguimento menos rigoroso ou até ser dispensados após estabilidade comprovada.
Pólipos de colesterol são pseudopólipos resultantes do acúmulo de lipídios na parede da vesícula, sendo os mais comuns (60-90%) e sem potencial maligno. Geralmente são múltiplos e menores que 10 mm. Já os pólipos neoplásicos (adenomas) são lesões pré-malignas que podem evoluir para adenocarcinoma. Eles tendem a ser únicos, sésseis e maiores. A ultrassonografia nem sempre diferencia ambos com precisão, por isso o tamanho de 10 mm é usado como o principal 'ponto de corte' para intervenção cirúrgica.
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