USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2017
Como parte do esforço final de erradicação da poliomielite, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) iniciou em 2012 o processo de substituição da Vacina Oral (VOP) pela Vacina Inativada (VIP). Atualmente as crianças têm recebido três doses de VIP iniciais e duas doses de VOP de reforço. Qual a principal razão desta mudança?
Transição VOP → VIP: prevenir poliomielite derivada da vacina, risco da VOP em fase final de erradicação.
A principal razão para a substituição gradual da Vacina Oral Poliomielite (VOP) pela Vacina Inativada Poliomielite (VIP) é o risco de poliomielite associada à vacina (PAV) ou poliomielite derivada da vacina (PVDV). Em regiões com baixa circulação do vírus selvagem, o risco de PAV/PVDV supera o benefício da VOP.
A poliomielite é uma doença infecciosa grave que pode causar paralisia permanente. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil tem sido crucial na luta contra a doença, utilizando a Vacina Oral Poliomielite (VOP) por décadas para a erradicação do vírus selvagem. No entanto, em fases avançadas da erradicação, quando a circulação do vírus selvagem é mínima ou inexistente, o risco raro de poliomielite associada à vacina (PAV) ou poliomielite derivada da vacina (PVDV) torna-se mais relevante. A VOP, por conter vírus atenuados, pode, em raras ocasiões, reverter à forma virulenta e causar paralisia. Por essa razão, o PNI iniciou a transição para um esquema que prioriza a Vacina Inativada Poliomielite (VIP) nas doses iniciais, eliminando o risco de PAV/PVDV, e mantém a VOP para reforços, aproveitando sua capacidade de induzir imunidade intestinal. Essa estratégia visa garantir a segurança e a eficácia da erradicação da poliomielite.
A poliomielite derivada da vacina (PVDV) ocorre quando o vírus atenuado presente na Vacina Oral Poliomielite (VOP) sofre mutações e readquire neurovirulência, podendo causar paralisia flácida aguda em indivíduos vacinados ou em seus contatos não imunizados, especialmente em populações com baixa cobertura vacinal.
A VOP foi fundamental para a erradicação da poliomielite em grande parte do mundo devido à sua facilidade de administração (oral), baixo custo e capacidade de induzir imunidade intestinal, interrompendo a transmissão do vírus selvagem. O risco de PVDV era considerado aceitável frente ao risco muito maior da poliomielite selvagem.
Atualmente, o esquema vacinal no Brasil para crianças inclui três doses iniciais da Vacina Inativada Poliomielite (VIP), administradas por via intramuscular. Após essas doses, são aplicadas duas doses de reforço da Vacina Oral Poliomielite (VOP), para manter a imunidade intestinal e fortalecer a proteção.
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