Poliomielite: Diagnóstico, Precauções e Vigilância

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Menino de 4 anos, previamente hígido, refugiado afegão, chegou ao Brasil há 1 semana com visto humanitário. É atendido na Unidade Básica de Saúde de referência,de sua nova residência, com o quadro de febre e súbita deficiência motora em membro inferior esquerdo (MIE), há 1 dia. Ao exame, o paciente encontra-se em regular estado geral, com reflexos profundos abolidos em MIE, porém com sensibilidade preservada.Considerando que o Afeganistão é um país com circulação do vírus selvagem da poliomielite e ponderando, ainda, a baixa cobertura vacinal no Brasil, atualmente, a médica realiza a notificação compulsória e interna o paciente para investigação diagnóstica e tratamento.Assinale a alternativa que corresponde à conduta indicada para confirmação diagnóstica e ao tipo de precaução indicada para prevenção de disseminação desse microrganismo, conforme recomendações atuais do Ministério da Saúde.

Alternativas

  1. A) Coleta de sorologia para poliomielite e precauções para aerossóis.
  2. B) Coleta de amostra de fezes para pesquisa de poliovírus e precauções para gotículas e contato.
  3. C) Coleta de líquor com pesquisa de anticorpos para poliovírus e precauções para gotículas.
  4. D) Realização de tomografia de crânio e precauções para aerossóis e contato.
  5. E) Coleta de hemocultura com pesquisa de poliovírus e precauções para contato.

Pérola Clínica

Suspeita de poliomielite → PFA + história epidemiológica; diagnóstico = pesquisa de poliovírus em fezes; precauções = contato e gotículas.

Resumo-Chave

A suspeita de poliomielite em um caso de Paralisia Flácida Aguda (PFA), especialmente com histórico epidemiológico de área endêmica, exige notificação compulsória. O diagnóstico é confirmado pela pesquisa de poliovírus em amostras de fezes. As precauções para evitar a disseminação são de contato e gotículas, devido à transmissão fecal-oral e, menos comumente, respiratória.

Contexto Educacional

A poliomielite é uma doença infecciosa grave causada pelo poliovírus, que pode levar à paralisia flácida aguda (PFA). Embora erradicada em grande parte do mundo, ainda há países com circulação do vírus selvagem, tornando a vigilância epidemiológica crucial, especialmente em contextos de migração e baixa cobertura vacinal. A PFA em crianças menores de 15 anos é um evento de notificação compulsória imediata, e a investigação deve ser rápida. O diagnóstico laboratorial da poliomielite é primariamente realizado pela detecção do poliovírus em amostras de fezes. Duas amostras de fezes devem ser coletadas com intervalo de 24 a 48 horas, idealmente nas primeiras duas semanas após o início da paralisia, pois a excreção viral é maior nesse período. A cultura viral e a identificação por PCR são os métodos utilizados. Sorologia e líquor podem ter papel complementar, mas não são os exames de escolha para a confirmação da circulação viral. Em relação às precauções, o poliovírus é transmitido principalmente pela via fecal-oral, mas também pode ser transmitido por gotículas respiratórias, especialmente na fase inicial da infecção. Portanto, são indicadas precauções de contato e gotículas para pacientes com suspeita ou confirmação de poliomielite em ambiente hospitalar, a fim de prevenir a disseminação do vírus. A vacinação é a medida preventiva mais eficaz contra a doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da poliomielite e como diferenciá-la de outras causas de paralisia flácida?

A poliomielite se manifesta principalmente como paralisia flácida aguda (PFA), caracterizada por fraqueza muscular súbita, assimetria, arreflexia e sensibilidade preservada. Diferencia-se de outras causas de PFA pela história epidemiológica, como contato com áreas de circulação viral ou status vacinal.

Por que a coleta de fezes é o método diagnóstico mais importante para a poliomielite?

A coleta de fezes é crucial porque o poliovírus é excretado em grandes quantidades nas fezes por semanas, mesmo em casos assintomáticos. A detecção viral nas fezes permite confirmar a infecção e identificar a circulação do vírus selvagem, sendo fundamental para a vigilância epidemiológica.

Quais são as medidas de prevenção da transmissão do poliovírus em ambiente hospitalar?

Em ambiente hospitalar, para pacientes com suspeita ou confirmação de poliomielite, são indicadas precauções de contato e gotículas. Isso inclui uso de luvas, avental, máscara cirúrgica e higiene rigorosa das mãos, além de isolamento do paciente.

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