Poliomielite no Brasil: Erradicação e Riscos Atuais

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023

Enunciado

Criança, 5 anos de idade, iniciou quadro febril agudo seguido de cefaleia e mialgias. Foi levada ao Hospital de Doenças Infecto-contagiosas, onde teve o diagnóstico de meningite viral, tendo alta com três dias por apresentar-se bem na evolução. Já em casa, sete dias após a alta, passa a apresentar perda súbita de força muscular em perna direita, com flacidez muscular. Em três dias não houve progressão, mas também não houve melhora. Os reflexos osteo-tendíneos estão diminuídos e a sensibilidade está preservada. Membro inferior esquerdo e demais dados do exame neurológico atual sem alterações.Quanto à situação da poliomielite viral no Brasil, pode se afirmar que:

Alternativas

  1. A) Encontra-se erradicada, porém com taxas de cobertura vacinal reduzidas, o que pode reintroduzir a doença no país.
  2. B) Encontra-se controlada, com casos apenas episódicos, devido à baixa cobertura vacinal dos últimos anos.
  3. C) Encontra-se erradicada e, considerando os riscos vacinais, não há indicação de vacina.
  4. D) Encontra-se em fase pré-epidêmica, pois casos episódicos já indicam risco de disseminação.

Pérola Clínica

Paralisia flácida aguda + arreflexia assimétrica + sensibilidade preservada → Suspeitar de Poliomielite.

Resumo-Chave

A poliomielite está erradicada no Brasil desde 1989, mas a baixa cobertura vacinal atual representa um risco crítico de reintrodução do vírus no país.

Contexto Educacional

A poliomielite é uma doença infectocontagiosa aguda causada pelo poliovírus (sorotipos 1, 2 e 3), transmitida principalmente pela via fecal-oral. Embora a maioria das infecções seja assintomática ou cause sintomas inespecíficos (forma abortiva), uma pequena porcentagem dos casos evolui para a invasão do sistema nervoso central, destruindo os neurônios motores da trompa anterior da medula espinhal, resultando em paralisia. No contexto epidemiológico brasileiro, a manutenção de altas coberturas vacinais e a vigilância ativa de casos de Paralisia Flácida Aguda (PFA) em menores de 15 anos são os pilares para evitar o retorno da doença. Qualquer caso de PFA deve ser notificado imediatamente e investigado com coleta de fezes para pesquisa de vírus, garantindo que o país mantenha seu status de área livre de circulação do poliovírus selvagem.

Perguntas Frequentes

Qual o status atual da poliomielite no Brasil?

A poliomielite é considerada erradicada no Brasil, com o último caso de poliovírus selvagem registrado em 1989 e a certificação internacional recebida em 1994. No entanto, a doença permanece como uma preocupação de saúde pública devido à queda progressiva nas taxas de cobertura vacinal nos últimos anos, que ficaram abaixo da meta de 95% recomendada pela OMS. Essa vulnerabilidade imunológica da população, somada à circulação do vírus em outros países, cria um cenário de alto risco para a reintrodução do poliovírus em território nacional, exigindo vigilância rigorosa de qualquer caso de paralisia flácida aguda.

Como diferenciar clinicamente a poliomielite de outras paralisias?

A poliomielite manifesta-se tipicamente como uma paralisia flácida aguda (PFA). As características principais incluem o início súbito de fraqueza muscular, que é tipicamente assimétrica e acomete mais frequentemente os membros inferiores. Um dado clínico crucial é a preservação da sensibilidade, o que ajuda a diferenciar de polineuropatias sensitivo-motoras. Os reflexos osteotendíneos no membro afetado estão diminuídos ou ausentes (arreflexia). Além disso, a evolução da paralisia costuma atingir seu máximo em poucos dias (geralmente até 3 dias), sem progressão posterior, mas também sem melhora espontânea rápida, deixando sequelas motoras permanentes.

Quais são as vacinas utilizadas contra a pólio no Brasil?

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) utiliza dois tipos de vacina. A Vacina Inativada Poliomielite (VIP), administrada por via injetável, é composta por vírus mortos e é utilizada nas três primeiras doses do esquema básico (2, 4 e 6 meses de vida), sendo extremamente segura e incapaz de causar a doença. A Vacina Oral Poliomielite (VOP), a famosa 'gotinha', contém vírus vivos atenuados e é utilizada nos reforços aos 15 meses e 4 anos, além de campanhas. A transição para um esquema exclusivo com VIP está em discussão para eliminar o risco residual de paralisia associada à vacina (VAPP).

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo