SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
Criança, 5 anos de idade, iniciou quadro febril agudo seguido de cefaleia e mialgias. Foi levada ao Hospital de Doenças Infecto-contagiosas, onde teve o diagnóstico de meningite viral, tendo alta com três dias por apresentar-se bem na evolução. Já em casa, sete dias após a alta, passa a apresentar perda súbita de força muscular em perna direita, com flacidez muscular. Em três dias não houve progressão, mas também não houve melhora. Os reflexos osteo-tendíneos estão diminuídos e a sensibilidade está preservada. Membro inferior esquerdo e demais dados do exame neurológico atual sem alterações.Quanto ao diagnóstico de poliomielite viral no quadro, pode se dizer que:
Paralisia flácida aguda + Arreflexia + Sensibilidade preservada = Suspeita de Poliomielite.
Toda paralisia flácida aguda em menores de 15 anos deve ser investigada para poliomielite como parte da vigilância epidemiológica rigorosa, independentemente do histórico vacinal.
A poliomielite é uma doença infectocontagiosa aguda causada por um enterovírus, cuja manifestação mais grave é a destruição dos neurônios motores da ponta anterior da medula espinhal, resultando em paralisia flácida. Embora o Brasil tenha recebido o certificado de erradicação da pólio em 1994, a vigilância ativa de Paralisia Flácida Aguda (PFA) permanece como um pilar fundamental da saúde pública para evitar o retorno da doença via casos importados ou mutações virais. O quadro clínico descrito na questão — febre, meningite viral prévia, seguido de déficit motor súbito, assimétrico, com flacidez e arreflexia, mas com sensibilidade preservada — é o clássico 'padrão-ouro' para suspeita de poliomielite. O diagnóstico diferencial deve sempre considerar a Síndrome de Guillain-Barré, mielites transversas e outras enteroviroses (como o EV-D68), mas, para fins de saúde pública, o caso deve ser tratado e investigado como poliomielite até que se prove o contrário através de exames laboratoriais específicos.
A poliomielite paralítica caracteriza-se por uma paralisia flácida de início súbito, geralmente assimétrica, que atinge principalmente os membros inferiores. Os reflexos osteotendíneos estão diminuídos ou ausentes (arreflexia) na área afetada, e a sensibilidade permanece preservada. Frequentemente, há um pródromo febril ou quadro de meningite asséptica dias antes do déficit motor. A evolução da paralisia ocorre rapidamente em 2 a 3 dias, estabilizando-se em seguida, podendo deixar sequelas permanentes com atrofia muscular.
Na Síndrome de Guillain-Barré, a paralisia costuma ser simétrica e ascendente, frequentemente acompanhada de parestesias (alterações de sensibilidade), o que a distingue da pólio, onde a sensibilidade é normal. Além disso, o líquor na SGB apresenta dissociação proteíno-citológica (proteína alta com poucas células), enquanto na fase inicial da poliomielite pode haver pleocitose. A poliomielite é tipicamente assimétrica e tem um caráter febril mais marcante precedendo a paralisia.
Todo caso de PFA em menores de 15 anos (ou em qualquer idade com suspeita de pólio) é de notificação compulsória imediata (em até 24 horas). A investigação inclui a coleta de duas amostras de fezes para isolamento viral (idealmente nos primeiros 14 dias do início do déficit), exame neurológico detalhado e acompanhamento para verificar a persistência da paralisia após 60 dias. Essa vigilância é crucial para detectar precocemente qualquer reintrodução do poliovírus selvagem ou circulação de vírus derivado de vacina.
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