Poliomielite e Paralisia Flácida Aguda: Diagnóstico

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023

Enunciado

Criança, 5 anos de idade, iniciou quadro febril agudo seguido de cefaleia e mialgias. Foi levada ao Hospital de Doenças Infecto-contagiosas, onde teve o diagnóstico de meningite viral, tendo alta com três dias por apresentar-se bem na evolução. Já em casa, sete dias após a alta, passa a apresentar perda súbita de força muscular em perna direita, com flacidez muscular. Em três dias não houve progressão, mas também não houve melhora. Os reflexos osteo-tendíneos estão diminuídos e a sensibilidade está preservada. Membro inferior esquerdo e demais dados do exame neurológico atual sem alterações.Quanto ao diagnóstico de poliomielite viral no quadro, pode se dizer que:

Alternativas

  1. A) O quadro clínico é incompatível, pois não houve contactantes com sintomas de poliomielite.
  2. B) O quadro clinico é compatível, embora a paralisia mais comum na poliomielite seja espástica.
  3. C) O quadro clínico é compatível com a Síndrome de Guillan-Barré, com quadro típico dessa condição.
  4. D) O quadro clinico é compatível e deve ser considerado como poliomielite até ser afastada a doença.

Pérola Clínica

Paralisia flácida aguda + Arreflexia + Sensibilidade preservada = Suspeita de Poliomielite.

Resumo-Chave

Toda paralisia flácida aguda em menores de 15 anos deve ser investigada para poliomielite como parte da vigilância epidemiológica rigorosa, independentemente do histórico vacinal.

Contexto Educacional

A poliomielite é uma doença infectocontagiosa aguda causada por um enterovírus, cuja manifestação mais grave é a destruição dos neurônios motores da ponta anterior da medula espinhal, resultando em paralisia flácida. Embora o Brasil tenha recebido o certificado de erradicação da pólio em 1994, a vigilância ativa de Paralisia Flácida Aguda (PFA) permanece como um pilar fundamental da saúde pública para evitar o retorno da doença via casos importados ou mutações virais. O quadro clínico descrito na questão — febre, meningite viral prévia, seguido de déficit motor súbito, assimétrico, com flacidez e arreflexia, mas com sensibilidade preservada — é o clássico 'padrão-ouro' para suspeita de poliomielite. O diagnóstico diferencial deve sempre considerar a Síndrome de Guillain-Barré, mielites transversas e outras enteroviroses (como o EV-D68), mas, para fins de saúde pública, o caso deve ser tratado e investigado como poliomielite até que se prove o contrário através de exames laboratoriais específicos.

Perguntas Frequentes

Quais as características clínicas típicas da paralisia na poliomielite?

A poliomielite paralítica caracteriza-se por uma paralisia flácida de início súbito, geralmente assimétrica, que atinge principalmente os membros inferiores. Os reflexos osteotendíneos estão diminuídos ou ausentes (arreflexia) na área afetada, e a sensibilidade permanece preservada. Frequentemente, há um pródromo febril ou quadro de meningite asséptica dias antes do déficit motor. A evolução da paralisia ocorre rapidamente em 2 a 3 dias, estabilizando-se em seguida, podendo deixar sequelas permanentes com atrofia muscular.

Como diferenciar Poliomielite da Síndrome de Guillain-Barré (SGB)?

Na Síndrome de Guillain-Barré, a paralisia costuma ser simétrica e ascendente, frequentemente acompanhada de parestesias (alterações de sensibilidade), o que a distingue da pólio, onde a sensibilidade é normal. Além disso, o líquor na SGB apresenta dissociação proteíno-citológica (proteína alta com poucas células), enquanto na fase inicial da poliomielite pode haver pleocitose. A poliomielite é tipicamente assimétrica e tem um caráter febril mais marcante precedendo a paralisia.

Qual a conduta diante de um caso de Paralisia Flácida Aguda (PFA)?

Todo caso de PFA em menores de 15 anos (ou em qualquer idade com suspeita de pólio) é de notificação compulsória imediata (em até 24 horas). A investigação inclui a coleta de duas amostras de fezes para isolamento viral (idealmente nos primeiros 14 dias do início do déficit), exame neurológico detalhado e acompanhamento para verificar a persistência da paralisia após 60 dias. Essa vigilância é crucial para detectar precocemente qualquer reintrodução do poliovírus selvagem ou circulação de vírus derivado de vacina.

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