Polimixinas: Espectro de Ação e Resistência Intrínseca

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021

Enunciado

Sobre as polimixinas, assinale a alternativa incorreta:

Alternativas

  1. A) Possuem resistência as polimixinas: Serratia, Moraxella, Proteus, Providencia, Morganela e Legionella.
  2. B) São ativas contra as bactérias produtoras de Carbapenemase.
  3. C) São ineficazes contra virtualmente todos os Gram-positivos.
  4. D) MIC acima de 4 são normalmente considerados resistentes à Polimixina.

Pérola Clínica

Polimixinas: Ineficazes contra Proteus, Serratia, Providencia e Gram-positivos.

Resumo-Chave

As polimixinas atuam na membrana externa de Gram-negativos; bactérias como Proteus e Serratia possuem resistência intrínseca por modificação do lipopolissacarídeo.

Contexto Educacional

As polimixinas são antibióticos polipeptídicos que atuam como detergentes catiônicos, desestabilizando a membrana externa de bactérias Gram-negativas ao se ligarem ao lipídeo A do LPS. Devido à sua toxicidade (nefrotoxicidade e neurotoxicidade), seu uso foi limitado por décadas, mas ressurgiu com a emergência de patógenos multirresistentes (MDR). É fundamental que o clínico conheça o perfil de resistência intrínseca: enquanto a maioria das Enterobacteriaceae é sensível, o grupo 'SPACE' (Serratia, Proteus, Acinetobacter, Citrobacter, Enterobacter) contém membros com resistência natural importante. A Moraxella catarrhalis é geralmente sensível, o que torna a alternativa A incorreta ao incluí-la no grupo de resistentes. O monitoramento do MIC (Concentração Inibitória Mínima) é crucial, sendo valores > 2 ou 4 mg/L indicativos de resistência adquirida em muitos patógenos.

Perguntas Frequentes

Quais bactérias têm resistência intrínseca às polimixinas?

Diversos gêneros de Gram-negativos possuem resistência intrínseca (natural) às polimixinas, incluindo Proteus spp., Providencia spp., Morganella morganii, Serratia marcescens, Edwardsiella e Burkholderia cepacia. Essa resistência geralmente decorre de modificações estruturais no lipopolissacarídeo (LPS) da membrana externa, que impedem a ligação da droga.

As polimixinas agem contra bactérias Gram-positivas?

Não. As polimixinas são virtualmente ineficazes contra bactérias Gram-positivas. O mecanismo de ação depende da interação com o lipopolissacarídeo (LPS) presente exclusivamente na membrana externa das bactérias Gram-negativas. Como os Gram-positivos carecem dessa estrutura, eles são naturalmente resistentes.

Qual o papel das polimixinas nas infecções por KPC?

As polimixinas (Polimixina B e Colistina) são consideradas drogas de 'último recurso' para o tratamento de infecções graves causadas por enterobactérias produtoras de carbapenemase (KPC) e outros bacilos Gram-negativos não fermentadores multirresistentes, como Pseudomonas aeruginosa e Acinetobacter baumannii, embora novos betalactâmicos com inibidores de betalactamase venham ganhando espaço.

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