Polimialgia Reumática: Diagnóstico e Tratamento com Corticoides

UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Um advogado de 70 anos apresenta história de 3 meses de dor persistente envolvendo os ombros, cintura pélvica e cervical; rigidez matinal de mais de 1 hora e artrite leve dos punhos. Nos exames é evidenciada anemia discreta com hemoglobina de 10.7g/d, velocidade de hemossedimentação (VHS) elevada de 90mm/hora. O fator reumatoide, anticorpo antipeptídeo citrulinado cíclico (AntiCCP) e FAN todos negativos. Não apresenta nenhuma evidência de erosões articulares nas radiografias das articulações das mãos e punhos. A intervenção terapêutica inicial mais adequada, neste caso, é:

Alternativas

  1. A) Naproxeno 500mg 2 x dia.
  2. B) Hidroxicloroquina 200mg 2 x dia.
  3. C) Ciclosporina 100mg/dia.
  4. D) Prednisona 15mg/dia.
  5. E) Dexametasona 8mg 2 x dia. 

Pérola Clínica

Idoso com dor e rigidez em ombros/cintura pélvica + VHS ↑ + FR/AntiCCP/FAN negativos → Polimialgia Reumática, tratar com Prednisona baixa dose.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor e rigidez em cinturas (escapular e pélvica) em idoso, associado a rigidez matinal prolongada e VHS elevada, com marcadores autoimunes negativos, é altamente sugestivo de Polimialgia Reumática. O tratamento de escolha e com resposta dramática é a corticoterapia em doses baixas a moderadas.

Contexto Educacional

A Polimialgia Reumática (PMR) é uma síndrome inflamatória crônica que afeta predominantemente indivíduos com mais de 50 anos, com pico de incidência entre 70 e 80 anos. Caracteriza-se por dor e rigidez bilateral nas cinturas escapular e pélvica, e na região cervical, com rigidez matinal prolongada (> 45-60 minutos). É uma condição comum na prática reumatológica e geriátrica, importante de ser reconhecida devido à sua boa resposta ao tratamento. A fisiopatologia da PMR envolve inflamação sinovial e bursal, com elevação de marcadores inflamatórios como VHS e PCR. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas característicos, idade do paciente e elevação dos reagentes de fase aguda. É crucial excluir outras condições, como artrite reumatoide (pela negatividade de FR e AntiCCP e ausência de erosões articulares), hipotireoidismo e neoplasias. A anemia discreta e a artrite leve de punhos podem ocorrer na PMR. O tratamento de escolha para a Polimialgia Reumática são os glicocorticoides, como a Prednisona, em doses baixas a moderadas (geralmente 10-20 mg/dia). A resposta ao tratamento é tipicamente dramática, com alívio significativo dos sintomas em poucos dias. A dose é então gradualmente reduzida ao longo de meses ou anos para evitar efeitos adversos dos corticoides. O prognóstico é geralmente bom, mas a doença pode ter um curso prolongado e requer monitoramento para recaídas e para o desenvolvimento de Arterite Temporal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Polimialgia Reumática?

Os critérios incluem idade > 50 anos, dor bilateral em ombros e/ou cintura pélvica, rigidez matinal > 45 minutos, elevação de VHS e/ou PCR, e exclusão de outras causas. A resposta rápida e sustentada a baixas doses de corticoides também é um forte indicativo.

Por que a Prednisona é o tratamento de escolha para Polimialgia Reumática?

A Prednisona é o tratamento de escolha devido à sua eficácia em reduzir rapidamente a dor e a rigidez, melhorando significativamente a qualidade de vida do paciente. A Polimialgia Reumática é uma doença inflamatória que responde muito bem aos glicocorticoides.

Qual a relação entre Polimialgia Reumática e Arterite Temporal?

A Polimialgia Reumática e a Arterite Temporal (ou Arterite de Células Gigantes) são consideradas parte do mesmo espectro de doenças. Cerca de 15-20% dos pacientes com Polimialgia Reumática desenvolvem Arterite Temporal, e até 50% dos pacientes com Arterite Temporal apresentam sintomas de Polimialgia Reumática.

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