USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Mulher, 70 anos, queixa-se de dor muscular difusa há 4 meses, mais importante na região cervical, ombros e quadris, associada a rigidez matinal superior a 45 minutos. Refere que no último mês evoluiu com limitação da amplitude de movimentos do quadril e dificuldade para realizar suas atividades domésticas habituais. Refere ainda hiporexia e perda ponderal de 2 kg nesse período. Ao exame físico, apresenta força muscular apendicular preservada. Exames laboratoriais: VHS: 70 mm/1ª hora (VR: até 15). Fator reumatoide: 7,1 IU/ml (VR: < 10,8). Qual é o diagnóstico mais provável?
Idoso >50a, dor/rigidez cintura escapular/pélvica, rigidez matinal >45min, VHS ↑, FR negativo → Polimialgia Reumática.
O quadro clínico de uma idosa com dor e rigidez nas cinturas escapular e pélvica, rigidez matinal prolongada, sintomas constitucionais (hiporexia, perda ponderal) e elevação acentuada do VHS, com força muscular preservada e FR negativo, é altamente sugestivo de Polimialgia Reumática.
A Polimialgia Reumática (PMR) é uma doença inflamatória sistêmica que afeta principalmente indivíduos com mais de 50 anos, sendo mais comum em mulheres. Caracteriza-se por dor e rigidez nas cinturas escapular e pélvica, com rigidez matinal prolongada, e é uma causa importante de dor musculoesquelética em idosos, impactando significativamente a qualidade de vida. O diagnóstico da PMR é clínico, baseado nos sintomas típicos de dor e rigidez simétricas nas regiões cervical, ombros e quadris, com duração superior a 45 minutos pela manhã. Achados laboratoriais incluem elevação acentuada de marcadores inflamatórios como o VHS e a PCR, enquanto o fator reumatoide e os anticorpos antinucleares são geralmente negativos. A força muscular é preservada, diferenciando-a de miopatias inflamatórias, e sintomas constitucionais como hiporexia e perda ponderal podem estar presentes. O tratamento da PMR é feito com glicocorticoides em baixas doses, com uma resposta terapêutica geralmente dramática e rápida, o que pode auxiliar no diagnóstico. É crucial monitorar os pacientes para o desenvolvimento de Arterite de Células Gigantes (ACG), uma vasculite sistêmica grave que pode coexistir com a PMR e causar cegueira ou acidente vascular cerebral (AVC) se não tratada adequadamente com doses mais altas de glicocorticoides.
Os critérios incluem idade >50 anos, dor bilateral nas cinturas escapular e/ou pélvica, rigidez matinal >45 minutos, elevação do VHS e/ou PCR, e exclusão de outras causas. A resposta rápida a glicocorticoides também é um forte indicativo.
A Polimialgia Reumática e a Arterite de Células Gigantes (ACG) são consideradas manifestações de uma mesma doença inflamatória sistêmica. Cerca de 15-20% dos pacientes com PMR desenvolvem ACG, e 50% dos pacientes com ACG têm PMR, exigindo vigilância para sintomas de ACG.
A Polimialgia Reumática cursa com inflamação sistêmica (VHS/PCR elevados) e afeta principalmente as cinturas, com rigidez matinal. A Fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada sem inflamação sistêmica, com pontos dolorosos específicos e exames laboratoriais normais.
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