SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2023
Uma paciente de 72 anos, previamente hígida e fisicamente ativa, procurou o médico com queixas de dores em ombros e pescoço há 40 dias. Refere que a dor piora durante a noite, chegando a acordá-la de madrugada, além de apresentar rigidez matinal, quando só consegue tirar a camisola cerca de uma hora após o despertar. Ao exame físico, as provas para avaliação de força muscular são normais, mas há dificuldade para abdução e elevação passiva dos ombros. Qual dos exames abaixo será mais útil para a elucidação diagnóstica deste caso?
Idoso >50a, dor/rigidez matinal ombros/cintura pélvica, VHS/PCR ↑ → Polimialgia Reumática.
O quadro clínico de dor e rigidez matinal em ombros e pescoço em uma idosa, com dificuldade de movimentação passiva e força muscular preservada, é altamente sugestivo de Polimialgia Reumática. A Velocidade de Hemossedimentação (VHS) é um marcador inflamatório que estará classicamente elevada nessa condição.
A Polimialgia Reumática (PMR) é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente indivíduos com mais de 50 anos, sendo mais comum em mulheres. Caracteriza-se por dor e rigidez simétrica e bilateral nas cinturas escapular e pélvica, com rigidez matinal prolongada. Sua importância reside no impacto significativo na qualidade de vida e na associação com a Arterite Temporal, uma vasculite que pode levar à cegueira se não tratada. A fisiopatologia da PMR envolve uma inflamação sistêmica, com ativação imune e produção de citocinas pró-inflamatórias, como IL-6. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos sintomas característicos, na idade do paciente e na exclusão de outras causas. Exames laboratoriais mostram elevação acentuada dos marcadores inflamatórios, como a Velocidade de Hemossedimentação (VHS) e a Proteína C Reativa (PCR), que são cruciais para a suspeita diagnóstica. A força muscular é geralmente preservada, mas a dor limita a movimentação. O tratamento da PMR é feito com corticosteroides em baixas doses, com resposta dramática e rápida, o que pode inclusive auxiliar no diagnóstico. A dose e a duração do tratamento devem ser individualizadas, com desmame gradual para evitar recaídas. O prognóstico é geralmente bom, mas é fundamental o acompanhamento para monitorar a resposta ao tratamento, efeitos adversos dos corticoides e, principalmente, para rastrear o desenvolvimento de Arterite Temporal, que exige tratamento mais agressivo.
Os sintomas clássicos incluem dor e rigidez, principalmente nos ombros e cintura pélvica, que pioram à noite e são mais intensas pela manhã (rigidez matinal prolongada, >30 minutos). Pode haver mal-estar geral, fadiga e perda de peso.
A VHS é um marcador inflamatório inespecífico que se encontra classicamente muito elevado na Polimialgia Reumática, refletindo a inflamação sistêmica. A Proteína C Reativa (PCR) também costuma estar elevada e é outro marcador importante.
A Polimialgia Reumática e a Arterite Temporal (ou Arterite de Células Gigantes) são consideradas doenças do mesmo espectro, com cerca de 15-20% dos pacientes com Polimialgia Reumática desenvolvendo Arterite Temporal, e vice-versa. É crucial monitorar sintomas de Arterite Temporal (cefaleia, claudicação de mandíbula, alterações visuais) em pacientes com Polimialgia Reumática.
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