UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 66 anos refere dor e fraqueza, inicialmente, em quadril e membros inferiores, com progressão insidiosa, há 6 meses, e evoluiu com fraqueza em membros superiores, principalmente, ombros, há 3 meses. Refere que a dor piora com os esforços, acompanhada de grande dificuldade para subir escadas e levantar-se de cadeiras baixas. Relata astenia e perda ponderal não quantificada, além de piora de cefaleia que apresenta há vários anos. AP: HAS e etilismo. EF: dificuldade para levantar-se e subir na maca, porém com força motora grau V em todos os segmentos e sem sinais de artrites ou deformidades articulares periféricas. Exames laboratoriais: hemograma normal, eletrólitos normais, TSH e T4 normais, CPK: 355 U/L, vitamina D: 40 ng/mL, vitamina B12: 200 pg/mL, VHS: 135 mm/hr, Cr: 0,8 mg/dL, Ur: 33 mg/dL, transaminases normais. Considerando o caso clínico apresentado, o diagnóstico e tratamento inicial são:
Dor proximal + VHS > 40-50 + Resposta rápida a corticoide = Polimialgia Reumática.
A Polimialgia Reumática (PMR) causa dor e rigidez proximal intensa em idosos, com marcadores inflamatórios muito elevados, mas sem fraqueza muscular real ou elevação de CPK.
A Polimialgia Reumática é uma síndrome inflamatória comum em indivíduos acima de 50 anos. O quadro clínico clássico envolve dor simétrica e rigidez matinal (superior a 30 minutos) nos ombros, pescoço e cintura pélvica. Sintomas sistêmicos como febre baixa, astenia e perda ponderal podem estar presentes. Laboratorialmente, o VHS frequentemente ultrapassa 50 mm/h ou mesmo 100 mm/h. O diagnóstico é essencialmente clínico e de exclusão. A manutenção do tratamento costuma durar de 1 a 2 anos, com desmame gradual do corticoide para evitar recidivas.
A PMR cursa com dor e rigidez matinal, mas a força muscular é normal e a CPK é normal. Na Polimiosite, há fraqueza muscular proximal objetiva (dificuldade de força), elevação importante de CPK e alterações na eletroneuromiografia.
O tratamento de escolha é a prednisona em doses baixas (12,5 a 20 mg/dia). Uma característica marcante da doença é a resposta clínica dramática e rápida (em 24-72 horas) após o início do corticoide.
Cerca de 15-20% dos pacientes com PMR desenvolvem ACG, e 50% dos pacientes com ACG têm sintomas de PMR. Ambas compartilham a base fisiopatológica inflamatória e a elevação de marcadores como VHS e PCR.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo