Polimialgia Reumática: Diagnóstico e Quadro Clínico

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Homem, 72 anos de idade, previamente saudável, procura o ambulatório de geriatria com queixa de dor e rigidez muscular há 3 meses, principalmente na região cervical, ombros e quadris, que piora no período da manhã. Refere fadiga, perda de peso, não intencional, de 4 kg nos últimos meses, e dificuldades para se levantar da cama. Ao exame físico, o paciente apresenta limitação de movimento nos ombros com dor à palpação nas articulações periféricas. Os exames laboratoriais mostram elevação de proteína C reativa e da velocidade de hemossedimentação.\n\nIndique o diagnóstico mais provável para o quadro clínico apresentado pelo paciente:

Alternativas

  1. A) Polimialgia reumática.
  2. B) Osteoartrite.
  3. C) Espondilite anquilosante.
  4. D) Polimiosite.

Pérola Clínica

Idoso + Rigidez matinal proximal + ↑VHS/PCR + Força normal = Polimialgia Reumática.

Resumo-Chave

A polimialgia reumática (PMR) é uma síndrome inflamatória sistêmica de idosos caracterizada por dor e rigidez matinal prolongada nas cinturas escapular e pélvica, com resposta dramática a baixas doses de corticoides.

Contexto Educacional

A Polimialgia Reumática é uma condição inflamatória que afeta quase exclusivamente indivíduos acima de 50 anos, com pico de incidência entre 70 e 80 anos. A fisiopatologia envolve sinovite, bursite e tenossinovite de estruturas proximais. O diagnóstico é eminentemente clínico, apoiado por provas de atividade inflamatória elevadas (VHS frequentemente > 40 mm/h).\n\nNa prática clínica, é crucial descartar neoplasias ocultas, infecções crônicas e outras doenças reumáticas como a Artrite Reumatoide de início tardio. A presença de sintomas sistêmicos como fadiga, anorexia e perda de peso é comum, mimetizando quadros consumptivos. O manejo a longo prazo foca na prevenção de efeitos colaterais da corticoterapia, como osteoporose e hiperglicemia.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença entre Polimialgia Reumática e Polimiosite?

A principal diferença reside na força muscular e nos exames laboratoriais de enzimas musculares. Na Polimialgia Reumática (PMR), o paciente apresenta dor e rigidez, mas a força muscular objetiva está preservada e a Creatina Fosfoquinase (CPK) é normal. Já na Polimiosite, a característica marcante é a fraqueza muscular proximal indolor, acompanhada de elevação significativa da CPK e outras enzimas musculares. Além disso, a PMR apresenta marcadores inflamatórios (VHS e PCR) muito elevados, o que não é a regra na polimiosite isolada.

Como é feito o tratamento inicial da Polimialgia Reumática?

O tratamento padrão-ouro para a Polimialgia Reumática é a corticoterapia em doses baixas a moderadas, geralmente iniciando com Prednisona 12,5 a 20 mg/dia. Uma característica diagnóstica importante é a resposta clínica dramática e rápida (em 24 a 72 horas) após o início do corticoide. Se o paciente não apresentar melhora significativa nesse período, o diagnóstico deve ser questionado. A redução da dose deve ser gradual e monitorada clinicamente e por meio dos marcadores inflamatórios (VHS e PCR).

Qual a associação entre PMR e Arterite de Células Gigantes?

Existe uma forte associação epidemiológica e fisiopatológica entre a Polimialgia Reumática e a Arterite de Células Gigantes (ACG). Cerca de 15% a 30% dos pacientes com PMR desenvolverão ACG, e aproximadamente 50% dos pacientes com ACG apresentam sintomas de PMR. Devido ao risco de complicações graves da ACG, como a cegueira irreversível por neuropatia óptica isquêmica, médicos devem monitorar pacientes com PMR para sintomas de cefaleia nova, claudicação de mandíbula e alterações visuais.

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