UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Mulher, 67 anos de idade, apresenta dor e rigidez matinal maior que 1 hora nos ombros e quadris há três meses. Relata também perda ponderal de 3 kg e febre baixa não aferida. Em investigação diagnóstica, foram afastadas causas infecciosas e neoplasias. Além disso, os exames laboratoriais evidenciaram: anemia normocítica e normocrômica (Hb = 9,6 g/dL), provas inflamatórias elevadas (VHS = 75 mm/1ª hora e PCR = 63 mg/L), fator reumatoide e fator antinuclear negativos. A ultrassonografia de partes moles revelou bursite subacromial bilateral e tendinopatia e bursite glútea bilateral. Qual é o diagnóstico mais provável?
Idoso + rigidez matinal proximal + ↑ provas inflamatórias + resposta rápida a corticoide = Polimialgia Reumática.
A Polimialgia Reumática (PMR) é uma síndrome inflamatória sistêmica de idosos que cursa com dor e rigidez em cinturas escapular e pélvica, frequentemente associada a bursites e tenossinovites bilaterais.
A Polimialgia Reumática (PMR) é uma condição inflamatória comum em indivíduos acima de 50 anos, com pico de incidência entre 70-80 anos. A fisiopatologia envolve uma resposta imune inata exacerbada, resultando em sinovite e bursite de articulações proximais. Clinicamente, o paciente relata dificuldade para realizar tarefas simples, como pentear o cabelo ou levantar da cadeira, devido à dor e rigidez. Laboratorialmente, a anemia de doença crônica e a elevação de VHS/PCR são achados clássicos. O diagnóstico diferencial com Artrite Reumatoide (AR) é desafiador, mas a ausência de fator reumatoide e anti-CCP, além do padrão de acometimento extra-articular (bursites), favorece a PMR.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em idade > 50 anos, dor bilateral e rigidez matinal (> 45 min) em ombros ou cintura pélvica, associados a marcadores inflamatórios (VHS/PCR) elevados. A ultrassonografia auxilia demonstrando bursite subacromial/subdeltoidea bilateral ou tenossinovite bicepital. É fundamental excluir neoplasias, infecções e outras artropatias inflamatórias como a Artrite Reumatoide de início tardio.
Cerca de 15-20% dos pacientes com PMR apresentam ACG, e aproximadamente 40-50% dos pacientes com ACG têm sintomas de PMR. Devido a essa forte associação, pacientes com diagnóstico de PMR devem ser monitorados para sintomas de vasculite de grandes vasos, como cefaleia nova, claudicação de mandíbula ou alterações visuais, que exigiriam doses muito mais altas de corticoides.
O padrão-ouro é a corticoterapia em doses baixas (geralmente Prednisona 12,5 a 25 mg/dia). A resposta clínica costuma ser rápida e dramática, ocorrendo em 24 a 72 horas. A redução da dose deve ser gradual e lenta, monitorando a recorrência de sintomas e os níveis de provas inflamatórias, podendo o tratamento durar de 1 a 2 anos.
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