SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Homem, 72 anos de idade, previamente saudável, procura o ambulatório de geriatria com queixa de dor e rigidez muscular há 3 meses, principalmente na região cervical, ombros e quadris, que piora no período da manhã. Refere fadiga, perda de peso, não intencional, de 4 kg nos últimos meses, e dificuldades para se levantar da cama. Ao exame físico, o paciente apresenta limitação de movimento nos ombros com dor à palpação nas articulações periféricas. Os exames laboratoriais mostram elevação de proteína C reativa e da velocidade de hemossedimentação.\n\nDiante do quadro, indique o tratamento farmacológico mais adequado nesse momento:
Dor + rigidez em cinturas + ↑VHS em idoso → Polimialgia Reumática (PMR).
A Polimialgia Reumática é uma síndrome inflamatória do idoso que responde dramaticamente a baixas doses de corticoides (10-20mg/dia de prednisona).
A Polimialgia Reumática (PMR) é uma das doenças inflamatórias mais comuns em indivíduos acima de 50 anos. Sua fisiopatologia está intimamente ligada à ativação da imunidade inata e citocinas pró-inflamatórias como a IL-6. Clinicamente, manifesta-se por dor e rigidez matinal prolongada nos ombros, pescoço e quadril, frequentemente acompanhada de sintomas constitucionais como fadiga e perda de peso.\n\nO tratamento padrão-ouro é a corticoterapia oral. A ausência de melhora significativa em poucos dias de tratamento deve levar o médico a questionar o diagnóstico. É fundamental monitorar a associação com a Arterite de Células Gigantes (ACG), que ocorre em cerca de 15-20% dos pacientes com PMR, manifestando-se com cefaleia, claudicação de mandíbula e risco de perda visual.
A dose inicial recomendada para o tratamento da polimialgia reumática (PMR) é geralmente baixa, variando entre 12,5 mg a 20 mg de prednisona por dia. Diferente da arterite de células gigantes, que exige doses altas, a PMR apresenta uma resposta clínica e laboratorial dramática em 24 a 72 horas com doses baixas. O desmame deve ser gradual e monitorado pela clínica e pelos níveis de VHS e PCR, frequentemente durando de 1 a 2 anos para evitar recidivas.
A diferenciação pode ser desafiadora. A PMR foca na musculatura proximal (cinturas escapular e pélvica) e raramente causa erosões articulares. Já a Artrite Reumatoide (AR) de início tardio costuma envolver pequenas articulações periféricas de forma simétrica e pode apresentar fator reumatoide ou anti-CCP positivos. Na PMR, a dor é mais muscular do que articular propriamente dita, embora sinovites leves possam ocorrer. A resposta rápida ao corticoide é mais característica da PMR.
Não existe um exame patognomônico para PMR. O diagnóstico é clínico, apoiado por exames que demonstram inflamação sistêmica. Os achados clássicos incluem Velocidade de Hemossedimentação (VHS) frequentemente acima de 40 mm/h e Proteína C Reativa (PCR) elevada. Outros exames servem para excluir diferenciais: hemograma (pode mostrar anemia de doença crônica), função tireoidiana, CPK (normal na PMR, elevada em miopatias) e triagem para neoplasias ocultas.
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