Polifarmácia em Idosos: Investigando Distúrbios Eletrolíticos

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2024

Enunciado

Homem, 77 anos de idade, portador de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2, ansiedade e depressão, está sob tratamento farmacológico com múltiplas medicações, incluindo anti-hipertensivos (losartana e amlodipina) diurético (furosemida), hipoglicemiante orais (glibenclamida, metformina,dapaglifozina), ansiolítico (alprazolan) e antidepressivo (venlafaxina). O paciente mantém boa funcionalidade e cognição mas, durante uma consulta de rotina na Unidade Básica de Saúde, relata fadiga constante, fraqueza muscular, câimbras, dificuldade de deambular, perda de concentração e episódios ocasionais de tontura.Considerando o perfil clínico do paciente, a avaliação mais indicada, entre as apresentadas, para investigar inicialmente na Unidade Básica de Saúde a causa da fadiga e tontura é realizar:

Alternativas

  1. A) Eletrocardiograma.
  2. B) Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA).
  3. C) Dosagem sérica de eletrólitos.
  4. D) Avaliação psicogeriátrica.

Pérola Clínica

Idoso polimedicado com fadiga, fraqueza, câimbras e tontura → Investigar distúrbios eletrolíticos (especialmente por diuréticos).

Resumo-Chave

Pacientes idosos em polifarmácia, especialmente com diuréticos como a furosemida e iSGLT2 como a dapaglifozina, são de alto risco para distúrbios eletrolíticos (hipocalemia, hiponatremia, desidratação). Os sintomas apresentados (fadiga, fraqueza muscular, câimbras, tontura) são clássicos de desequilíbrios eletrolíticos, tornando a dosagem sérica de eletrólitos a investigação inicial mais indicada.

Contexto Educacional

A polifarmácia, definida como o uso concomitante de múltiplos medicamentos, é uma realidade comum em pacientes idosos e um fator de risco significativo para eventos adversos, incluindo interações medicamentosas e distúrbios eletrolíticos. A fisiologia do envelhecimento, com a diminuição da função renal e hepática, altera a farmacocinética e a farmacodinâmica dos fármacos, tornando os idosos mais suscetíveis a efeitos colaterais. Os sintomas inespecíficos como fadiga, fraqueza muscular, câimbras e tontura são frequentemente atribuídos ao envelhecimento, mas podem ser manifestações de distúrbios eletrolíticos, especialmente hipocalemia e hiponatremia, comuns em usuários de diuréticos de alça (furosemida) e tiazídicos. Além disso, inibidores de SGLT2 (dapaglifozina) podem causar desidratação e alterações eletrolíticas. A avaliação inicial deve sempre incluir a revisão da lista de medicamentos e a investigação de causas reversíveis. A dosagem sérica de eletrólitos (sódio, potássio, cálcio, magnésio) é uma ferramenta diagnóstica simples e essencial na atenção primária para identificar essas alterações. O manejo envolve o ajuste da medicação, suplementação eletrolítica quando necessário e educação do paciente sobre hidratação e sinais de alerta. A otimização da farmacoterapia e a desprescrição, quando apropriadas, são cruciais para melhorar a qualidade de vida e reduzir a morbidade em idosos.

Perguntas Frequentes

Quais medicamentos comuns em idosos podem causar distúrbios eletrolíticos?

Diuréticos (furosemida, hidroclorotiazida) são causas frequentes de hipocalemia e hiponatremia. Inibidores de SGLT2 (dapaglifozina) podem causar desidratação e alterações eletrolíticas. IECA/BRA podem levar à hipercalemia.

Quais sintomas sugerem hipocalemia ou hiponatremia em idosos?

Hipocalemia pode causar fraqueza muscular, câimbras, fadiga e arritmias. Hiponatremia pode manifestar-se com confusão mental, tontura, náuseas, cefaleia e, em casos graves, convulsões.

Como a desidratação afeta os eletrólitos em pacientes idosos?

A desidratação em idosos pode levar à hipernatremia devido à perda de água livre e à diminuição da sede. Também pode exacerbar desequilíbrios de outros eletrólitos e causar hipotensão ortostática, resultando em tontura.

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