FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020
Seu João, 72 anos, foi à consulta na unidade básica de saúde no bairro onde mora com queixa de hipertensão arterial, diabetes, asma e dor no joelho esquerdo. Seu João apresentou ao médico nove medicações diferentes que utiliza diariamente. O médico ao atendê-lo, sem examiná-lo, prescreveu propranolol 40 mg de 12/12h, um anti-inflamatório e solicitou exames. A consulta durou 3 minutos. Com base no texto acima marque a alternativa que melhor traduz as questões que podemos identificar no mesmo:
Polifarmácia + comorbidades + consulta breve → ↑ risco de iatrogenia e manejo inadequado.
A polifarmácia e a presença de múltiplas comorbidades em idosos exigem uma abordagem integral e tempo adequado de consulta. A prescrição de medicamentos como propranolol em asmáticos ou AINEs sem avaliação detalhada pode levar a iatrogenias graves, destacando a importância da revisão medicamentosa.
A polifarmácia, definida como o uso concomitante de múltiplos medicamentos (geralmente cinco ou mais), é um desafio crescente na geriatria, especialmente em pacientes com múltiplas comorbidades. A prevalência aumenta com a idade e está associada a um maior risco de eventos adversos, interações medicamentosas e iatrogenia. A iatrogenia refere-se a qualquer efeito adverso ou doença resultante de uma intervenção médica, seja ela diagnóstica ou terapêutica. Em idosos, a iatrogenia é particularmente preocupante devido às alterações fisiológicas do envelhecimento que afetam a farmacocinética e a farmacodinâmica dos fármacos. O diagnóstico de polifarmácia e o risco de iatrogenia devem ser ativamente investigados em toda consulta geriátrica. É crucial realizar uma revisão medicamentosa completa, incluindo medicamentos prescritos, de venda livre e suplementos. A suspeita de iatrogenia surge quando há piora de sintomas, surgimento de novos sintomas ou falha terapêutica em pacientes polimedicados. A abordagem deve ser centrada no paciente, considerando suas prioridades e qualidade de vida. O tratamento envolve a desprescrição cuidadosa de medicamentos desnecessários ou inapropriados, otimização das doses e substituição por alternativas mais seguras. A educação do paciente e familiares sobre o uso correto dos medicamentos é fundamental. O prognóstico melhora significativamente com uma gestão medicamentosa proativa e integral, visando reduzir a carga de medicamentos e os riscos associados, promovendo um envelhecimento saudável e com qualidade de vida.
Os principais riscos incluem interações medicamentosas, efeitos adversos, iatrogenia, piora da adesão ao tratamento e aumento da morbimortalidade, especialmente em pacientes com múltiplas comorbidades.
A iatrogenia pode ser evitada através de uma avaliação geriátrica abrangente, revisão medicamentosa regular, desprescrição quando apropriado, e considerando as particularidades farmacocinéticas e farmacodinâmicas do idoso.
A integralidade permite considerar o paciente em sua totalidade (biopsicossocial), suas comorbidades, medicações em uso e contexto de vida, otimizando o plano terapêutico e minimizando riscos de iatrogenia.
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