UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021
Seu Juvenal, 68 anos, tem diagnóstico de Hipertensão Arterial Sistêmica, Fibrilação Atrial, Dislipidemia e Doença do Refluxo Gastro-Esofágico. Faz uso de: atenolol 25 mg duas vezes ao dia, Losartana 50 mg uma vez ao dia, Hidroclorotiazida 25 mg uma vez ao dia, Sinvastatina 40 mg uma vez ao dia, Omeprazol 20 mg uma vez ao dia, Rivaroxabana 20 mg uma vez ao dia, Bupropiona 150 mg uma vez ao dia e Clonazepam 2 mg (prescritos após falecimento do irmão). Queixa-se de tontura e náuseas eventuais sem outros sintomas associados. Apresenta PA:130x80mmHg, exame cardiovascular, respiratório, abdominal, e neurológico normais. Teste de Romberg e Dix-Hallpike negativos. Diante de tal situação, qual seria a melhor opção terapêutica?
Idoso com polifarmácia e sintomas inespecíficos → sempre revisar medicamentos para ADRs/interações.
Em pacientes idosos com polifarmácia e sintomas inespecíficos como tontura e náuseas, a primeira e mais importante conduta é revisar a lista de medicamentos. Muitos fármacos podem causar esses sintomas como efeitos adversos ou por interações medicamentosas, e a suspensão ou ajuste pode resolver o quadro sem a necessidade de novas prescrições.
A polifarmácia, definida como o uso de múltiplos medicamentos, é uma realidade comum e um desafio significativo na geriatria. Pacientes idosos, como Seu Juvenal, frequentemente apresentam múltiplas comorbidades (HAS, FA, dislipidemia, DRGE) que justificam o uso de diversos fármacos. No entanto, essa complexidade aumenta exponencialmente o risco de reações adversas a medicamentos (ADR) e interações medicamentosas, que podem se manifestar com sintomas inespecíficos como tontura e náuseas. A fisiologia do idoso, com alterações na absorção, distribuição, metabolismo e excreção de fármacos, torna-os mais suscetíveis a efeitos adversos, mesmo com doses consideradas terapêuticas em adultos mais jovens. Sintomas como tontura, quedas, confusão mental e náuseas são frequentemente atribuídos a doenças subjacentes ou ao envelhecimento natural, quando na verdade podem ser manifestações de ADRs ou interações medicamentosas. A introdução de um novo medicamento, como o clonazepam após um evento estressor, pode exacerbar esses efeitos. Diante de um quadro de sintomas inespecíficos em um idoso polimedicado, com exames físicos e testes específicos normais, a primeira e mais crucial etapa é realizar uma revisão minuciosa da farmacoterapia. Isso envolve avaliar cada medicamento quanto à sua necessidade, dose, potencial de interação e efeitos adversos. A desprescrição de fármacos desnecessários ou o ajuste de doses é frequentemente a melhor 'opção terapêutica', evitando a cascata de prescrições que pode agravar o quadro clínico e a qualidade de vida do paciente.
A polifarmácia em idosos aumenta significativamente o risco de reações adversas a medicamentos (ADR), interações medicamentosas, falha terapêutica, hospitalizações e piora da qualidade de vida. A fisiologia alterada do idoso (metabolismo, excreção) torna-os mais vulneráveis a esses efeitos.
Diversos medicamentos podem causar tontura e náuseas. Anti-hipertensivos (como atenolol, losartana, hidroclorotiazida) podem causar hipotensão. Benzodiazepínicos (clonazepam) e antidepressivos (bupropiona) podem ter efeitos no SNC. Anticoagulantes (rivaroxabana) e estatinas (sinvastatina) também podem ter efeitos gastrointestinais ou sistêmicos que levam a esses sintomas.
A conduta inicial mais apropriada é realizar uma revisão completa da lista de medicamentos em uso, buscando identificar possíveis efeitos adversos, interações medicamentosas ou medicamentos potencialmente inapropriados para idosos. A desprescrição ou ajuste de doses deve ser considerada antes de adicionar novos fármacos.
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