AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2019
Senhora, 72 anos, faz acompanhamento regular na US do seu município, tem DM há 12 anos, HAS, depressão, DRC com TFG 63 ml/min, hipotireoidismo, nunca teve nenhum evento cardiovascular. Está em uso de: Metformina 850 mg 3 vezes ao dia, losartan 100 mg/dia, sinvastatina 40 mg, AAS 100 mg, sertralina 100 mg, levotiroxina 88 mcg, glibenclamida 5 mg 3 vezes ao dia. Hoje vem queixando de dor nos joelhos, está cada vez mais limitada nas suas atividades, e desde que tomou uma injeção há poucos dias no pronto-socorro a dor diminuiu, porém percebeu surgimento de edema nos membros inferiores. Em relação ao cuidado com a sua paciente:I) É um caso de polifarmácia, e o manejo adequado dessa situação pode levar a benefícios na saúde de população de idosos. II) O risco de reações adversas decorrente da associação de diversas classes de fármacos aumenta em cerca de seis vezes em idosos comparado com adultos mais jovens. III) Essa paciente provavelmente se beneficiaria da suspensão ou redução de dose de pelo menos duas classes de medicamentos, promovendo melhora na qualidade de vida da mesma. Está CORRETA afirmativa:
Polifarmácia em idosos ↑ risco de eventos adversos; desprescrição racional melhora qualidade de vida e segurança.
A polifarmácia é um problema comum em idosos com múltiplas comorbidades, aumentando significativamente o risco de reações adversas. A desprescrição cuidadosa, avaliando a necessidade e os riscos de cada medicamento, é fundamental para otimizar a terapia e melhorar a qualidade de vida.
A polifarmácia, definida como o uso concomitante de múltiplos medicamentos (geralmente cinco ou mais), é uma realidade comum na população idosa, que frequentemente apresenta múltiplas comorbidades crônicas. Embora muitos medicamentos sejam necessários, a polifarmácia aumenta exponencialmente o risco de reações adversas, interações medicamentosas, hospitalizações e piora da qualidade de vida, devido às alterações fisiológicas do envelhecimento que afetam a farmacocinética e a farmacodinâmica dos fármacos. A paciente do caso clínico é um exemplo clássico de polifarmácia, com sete medicamentos em uso regular e queixas que podem estar relacionadas a efeitos adversos (edema após injeção, possivelmente anti-inflamatório, e dor nos joelhos). A glibenclamida, por exemplo, é uma sulfonilureia de segunda geração que apresenta alto risco de hipoglicemia em idosos, sendo considerada um medicamento potencialmente inapropriado pelos Critérios de Beers. O AAS em prevenção primária também deve ser reavaliado em idosos sem eventos cardiovasculares prévios, considerando o risco de sangramento. O manejo adequado da polifarmácia envolve a desprescrição racional, que é um processo sistemático de identificação e retirada de medicamentos que podem estar causando mais danos do que benefícios. Essa abordagem exige uma avaliação individualizada do paciente, seus objetivos de cuidado, expectativa de vida, comorbidades e o balanço risco-benefício de cada fármaco. A desprescrição pode levar a uma melhora significativa na qualidade de vida, redução de eventos adversos e otimização da terapia medicamentosa em idosos.
Os principais riscos incluem maior incidência de reações adversas, interações medicamentosas, quedas, hospitalizações, declínio cognitivo e piora da qualidade de vida, devido às alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas do envelhecimento.
Desprescrição é o processo de retirada ou redução de dose de medicamentos potencialmente inapropriados ou desnecessários. Deve ser considerada em idosos com polifarmácia, efeitos adversos, alto risco de interações ou quando o benefício do medicamento não supera os riscos.
Medicamentos como benzodiazepínicos, antipsicóticos, inibidores da bomba de prótons de uso prolongado, sulfonilureias (ex: glibenclamida) e AAS em prevenção primária são frequentemente reavaliados para desprescrição em idosos.
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