Polifarmácia em Idosos: Como e Quando Desprescrever

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2025

Enunciado

Sra. Sebastiana, 97 anos, acamada há 8 anos por diagnóstico de Doença de Alzheimer. Não tem histórico de outras doenças crônicas, eventos cardiovasculares ou cirurgias prévias. Teve um TSH alterado há cerca de 5 anos e desde então faz uso de Levotiroxina 25 mcg em jejum. Além disso, faz uso de Omeprazol 40 mg também em jejum, Donepezila 10 mg à noite, Memantina 10 mg 2 vezes ao dia, AAS 100 mg no almoço, Furosemida 40 mg 2 vezes ao dia, Amitriptilina 25 mg 3 comprimidos à noite e Oxibutinina 5 mg 1 vez ao dia. Paciente não contactua, sonolenta durante todo dia, dorme bem à noite, alimenta-se via gastrostomia. A família é cuidadosa e presente no cuidado diário. Diante desse caso clínico, considere as afirmativas a seguir.I. O manejo ativo da polifarmácia traz benefícios de saúde globais em populações idosas, porém não é o caso da Sra. Sebastiana, que apresenta indicação clara de uso de cada medicação.II. É importante revisar e reavaliar as medicações de uso contínuo em cada consulta.III. Antidepressivos tricíclicos são uma classe medicamentosa potencialmente inadequada para idosos.IV. A sonolência diurna da Sra. Sebastiana pode se dar por efeito colateral ou interação medicamentosa dos seus remédios de uso contínuo.Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Somente as afirmativas I e II são corretas.
  2. B) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
  3. C) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
  4. D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
  5. E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Pérola Clínica

Em idosos com polifarmácia, sempre reavalie a indicação de cada droga e suspeite de efeitos colaterais (ex: sonolência por tricíclicos) como causa de novos sintomas.

Resumo-Chave

A polifarmácia é um fator de risco para iatrogenia em idosos. É crucial revisar periodicamente a lista de medicamentos (II), estar ciente de classes inadequadas como os tricíclicos (III) e considerar que sintomas como sonolência podem ser efeitos adversos (IV). A afirmativa I está incorreta, pois a revisão é sempre benéfica e necessária.

Contexto Educacional

A polifarmácia, definida como o uso concomitante de cinco ou mais medicamentos, é uma síndrome geriátrica de alta prevalência e risco. Idosos, especialmente os frágeis e com múltiplas comorbidades, são vulneráveis a reações adversas devido a alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas relacionadas à idade, como a redução do clearance renal e o aumento da sensibilidade a certos fármacos. O manejo da polifarmácia exige uma abordagem proativa de revisão e desprescrição. Ferramentas como os Critérios de Beers e STOPP/START auxiliam na identificação de Medicamentos Potencialmente Inadequados (MPI). No caso apresentado, a amitriptilina (antidepressivo tricíclico) e a oxibutinina são exemplos de MPI devido à alta carga anticolinérgica, que pode causar sedação, confusão e sonolência, contribuindo para o quadro da paciente. A sonolência diurna é um sintoma que deve imediatamente levantar a suspeita de iatrogenia. É fundamental que o médico reavalie a indicação de cada medicamento em todas as consultas, questionando sua necessidade contínua frente ao estado clínico atual e aos objetivos de cuidado do paciente. Em um paciente com demência avançada e acamado, o foco do tratamento muda de prevenção de longo prazo para conforto e qualidade de vida, tornando muitas medicações (como AAS e, possivelmente, os antidemenciais) passíveis de desprescrição. A gestão ativa da farmacoterapia é uma competência essencial na geriatria.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de que um idoso pode estar sofrendo com a polifarmácia?

Sinais incluem quedas recorrentes, confusão mental aguda (delirium), sonolência diurna excessiva, tontura, constipação e boca seca. Muitos desses sintomas são erroneamente atribuídos apenas ao envelhecimento, quando na verdade podem ser iatrogênicos.

Por que antidepressivos tricíclicos como a amitriptilina são inadequados para idosos?

Eles possuem forte efeito anticolinérgico, causando sedação, confusão mental, boca seca, constipação e retenção urinária. Além disso, causam hipotensão postural e aumentam significativamente o risco de quedas, delirium e arritmias cardíacas.

O que é desprescrição e como aplicá-la?

Desprescrição é o processo planejado e supervisionado de retirada de medicamentos que não são mais necessários ou cujo risco supera o benefício. Envolve revisar toda a lista de medicações, identificar alvos para retirada (ex: drogas da lista de Beers) e monitorar o paciente durante e após a suspensão.

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