Quedas em Idosos: Polifarmácia e Hipotensão Ortostática

UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 80 anos, portador de insônia, hipertensão arterial e hipertrofia prostática benigna, sofre queda ao ir ao banheiro de madrugada. Faz uso de vários medicamentos: mesilato de doxazosina, hidroclorotiazida, cloridrato de clonidina e bromazepam. Tendo em vista essas informações, é correto afirmar que a queda é resultado de:

Alternativas

  1. A) polifarmácia, causando hipotensão ortostática.
  2. B) estenose aórtica comumente acompanhada de B3 na ausculta cardíaca.
  3. C) doença de Parkinson caracterizada por anosmia, bradicinesia, tremor e macrografia.
  4. D) disautonomia com alteração da salivação (hiper-hidrose ou hipo-hidrose).
  5. E) delirium.

Pérola Clínica

Polifarmácia em idosos (anti-hipertensivos + benzodiazepínicos) → ↑ risco de hipotensão ortostática e quedas.

Resumo-Chave

O paciente idoso faz uso de múltiplos medicamentos (polifarmácia), incluindo anti-hipertensivos (doxazosina, hidroclorotiazida, clonidina) que podem causar hipotensão ortostática, e um benzodiazepínico (bromazepam) que afeta o equilíbrio e a cognição. A combinação desses fatores aumenta significativamente o risco de quedas, especialmente ao levantar-se à noite.

Contexto Educacional

Quedas em idosos representam um grave problema de saúde pública, com alta morbidade e mortalidade. A etiologia é multifatorial, mas a polifarmácia é um dos principais fatores de risco modificáveis. Idosos frequentemente utilizam múltiplos medicamentos para tratar condições crônicas, e a combinação de fármacos pode levar a interações e efeitos adversos que comprometem o equilíbrio, a cognição e a estabilidade hemodinâmica. No caso apresentado, o paciente utiliza doxazosina (alfa-bloqueador para hipertrofia prostática benigna e hipertensão), hidroclorotiazida (diurético) e clonidina (anti-hipertensivo central), todos com potencial de causar hipotensão ortostática. A doxazosina, em particular, é conhecida por seu efeito de primeira dose e por exacerbar a hipotensão postural. O bromazepam, um benzodiazepínico, contribui para a sedação, tontura e comprometimento do equilíbrio, aumentando ainda mais o risco de quedas. A avaliação de quedas em idosos deve incluir uma revisão detalhada da medicação, buscando identificar e, se possível, desprescrever ou ajustar doses de fármacos de alto risco. A educação do paciente sobre a importância de levantar-se lentamente e a adaptação do ambiente doméstico também são medidas preventivas cruciais. O manejo da polifarmácia e a prevenção da hipotensão ortostática são pilares na redução da incidência de quedas nessa população.

Perguntas Frequentes

Quais medicamentos comuns em idosos aumentam o risco de quedas?

Medicamentos que afetam o sistema cardiovascular (anti-hipertensivos, diuréticos), o sistema nervoso central (benzodiazepínicos, antidepressivos, antipsicóticos) e aqueles que causam hipotensão ortostática são os principais. No caso, doxazosina, hidroclorotiazida, clonidina e bromazepam contribuem para esse risco.

Como a hipotensão ortostática contribui para quedas em idosos?

A hipotensão ortostática é uma queda súbita da pressão arterial ao mudar da posição deitada/sentada para a de pé, levando a tontura, vertigem e síncope. Em idosos, a regulação barorreflexa é menos eficiente, e a polifarmácia agrava essa condição, aumentando o risco de desequilíbrio e quedas.

O que é polifarmácia e por que é um problema em idosos?

Polifarmácia é o uso concomitante de múltiplos medicamentos (geralmente 5 ou mais). Em idosos, isso aumenta o risco de interações medicamentosas, efeitos adversos, reações paradoxais e síndromes geriátricas, como quedas, delirium e declínio funcional, devido a alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas relacionadas à idade.

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