Polifarmácia em Idosos: Riscos e Manejo Clínico

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente de noventa anos de idade, emagrecida (IMC = 17), atualmente em uso de metformina, captopril, losartana, atorvastatina, vitamina D, sulfato ferroso, complexo B, sertralina, clonazepam, óleo mineral, dipirona, pantoprazol e ácido acetilsalicílico, refere ter antecedentes de diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e dispepsia. Nem a paciente nem sua familiar (filha) souberam explicar o porquê do uso das outras medicações, que não estavam relacionadas às doenças mencionadas, negando outras comorbidades. Relata, também, sentir dores nos joelhos esporadicamente e ter insônia. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A idade acima de 85 anos é o único fator de risco, entre os mencionados, para reações adversas a medicamentos.
  2. B) O fato de não relatar reações adversas prévias a medicamentos deve permitir a manutenção de todos os medicamentos em uso pela paciente.
  3. C) A insônia relatada pela paciente deverá ser avaliada pelo ponto de vista médico, cabendo inicialmente aumentar a dose dos benzodiazepínicos.
  4. D) Os analgésicos poderão ser substituídos por anti-inflamatórios, objetivando a melhoradas dores articulares, uma vez que a paciente não relatou ter disfunção renal.
  5. E) A paciente tem vários fatores de risco para reações adversas a medicamentos, o que inclui a idade acima de 85 anos, o baixo IMC e mais de nove medicamentos em uso.

Pérola Clínica

Idosos com polifarmácia, baixo IMC e idade >85 anos têm alto risco de reações adversas a medicamentos.

Resumo-Chave

A polifarmácia (uso de múltiplos medicamentos) em idosos é um fator de risco significativo para eventos adversos, especialmente na presença de fragilidade, baixo peso e idade avançada. A avaliação cuidadosa da necessidade de cada medicamento e a desprescrição são cruciais para a segurança do paciente.

Contexto Educacional

A polifarmácia, definida como o uso concomitante de múltiplos medicamentos (geralmente cinco ou mais), é um desafio crescente na geriatria, afetando uma parcela significativa da população idosa. Este cenário, muitas vezes impulsionado pela presença de múltiplas comorbidades, aumenta exponencialmente o risco de interações medicamentosas, reações adversas e hospitalizações. A identificação de fatores de risco como idade avançada, baixo IMC e fragilidade é crucial para a prevenção de eventos adversos. A fisiopatologia por trás do aumento do risco em idosos envolve alterações farmacocinéticas (absorção, distribuição, metabolismo e excreção) e farmacodinâmicas (resposta do organismo ao fármaco). Por exemplo, a redução da função renal e hepática, comum com o envelhecimento, pode levar ao acúmulo de medicamentos. O diagnóstico de polifarmácia inapropriada requer uma revisão abrangente da lista de medicamentos, considerando os critérios de Beers e a relevância de cada fármaco para as condições clínicas do paciente. O manejo da polifarmácia foca na desprescrição, um processo sistemático de retirada de medicamentos que podem ser desnecessários ou prejudiciais. Isso deve ser feito de forma gradual e monitorada, priorizando a segurança e a qualidade de vida do paciente. A educação do paciente e de seus cuidadores sobre os riscos e benefícios da medicação é fundamental para o sucesso dessa abordagem, visando otimizar a terapia e minimizar os danos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para reações adversas a medicamentos em idosos?

Os principais fatores incluem idade avançada (>85 anos), polifarmácia (uso de múltiplos medicamentos), baixo índice de massa corporal (IMC), presença de comorbidades e disfunção renal ou hepática.

O que é desprescrição e qual sua importância na geriatria?

Desprescrição é o processo de redução ou interrupção de medicamentos inapropriados ou desnecessários, com o objetivo de melhorar os resultados de saúde e reduzir o risco de eventos adversos, especialmente em idosos polimedicados.

Como a fragilidade e o baixo IMC influenciam o risco de reações adversas em idosos?

Pacientes frágeis e com baixo IMC possuem menor reserva fisiológica e alterações farmacocinéticas/farmacodinâmicas, tornando-os mais suscetíveis aos efeitos colaterais e toxicidade dos medicamentos.

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