Quedas em Idosos: Identificando Medicamentos de Risco

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 81 anos, com relato de três quedas nos últimos seis meses, tem doença de Alzheimer, hipertensão arterial sistêmica (HAS), osteoporose e déficit visual por catarata. Faz uso de: diurético; inibidor da enzima conversora de angiotensina; agente antipsicótico, bisfosfonato e vitamina D. Exame físico: perda de massa muscular e baixo desempenho físico; pressão arterial sistêmica (PAS) = 100x60mmHg; frequência cardíaca (FC) = 70bpm. Exames laboratoriais: nível de vitamina D próximo ao limite inferior da normalidade. Sobre o risco de quedas, pode-se afirmar que o medicamento que deve ser retirado é:

Alternativas

  1. A) antipsicótico
  2. B) vitamina D
  3. C) diurético
  4. D) bisfosfonato

Pérola Clínica

Idoso frágil com quedas e hipotensão → revisar medicamentos, especialmente diuréticos e psicotrópicos.

Resumo-Chave

Em idosos com histórico de quedas e hipotensão, a revisão da medicação é crucial. Diuréticos podem exacerbar a hipotensão ortostática e a desidratação, aumentando o risco de quedas, especialmente em pacientes com múltiplas comorbidades e polifarmácia.

Contexto Educacional

As quedas em idosos representam um grave problema de saúde pública, com alta morbidade e mortalidade. A prevalência aumenta com a idade, sendo multifatorial e envolvendo fatores intrínsecos (doenças crônicas, déficit sensorial, fragilidade) e extrínsecos (ambiente, polifarmácia). A identificação e modificação desses fatores são cruciais para a prevenção. A polifarmácia, definida como o uso de cinco ou mais medicamentos, é um dos principais fatores de risco modificáveis para quedas. Medicamentos como diuréticos, anti-hipertensivos, psicotrópicos (antipsicóticos, benzodiazepínicos, antidepressivos) e hipoglicemiantes podem causar efeitos adversos como hipotensão ortostática, sedação, tontura e alterações do equilíbrio, aumentando significativamente o risco de quedas. A avaliação cuidadosa da lista de medicamentos e a desprescrição, quando apropriada, são intervenções eficazes. O manejo das quedas em idosos envolve uma abordagem multidisciplinar. Além da revisão medicamentosa, inclui a avaliação e tratamento de comorbidades, otimização da visão e audição, exercícios para força e equilíbrio, e modificações ambientais. Para residentes, é vital reconhecer a importância da anamnese detalhada sobre quedas, a avaliação da marcha e equilíbrio, e a implementação de estratégias de prevenção baseadas em evidências.

Perguntas Frequentes

Quais medicamentos mais aumentam o risco de quedas em idosos?

Medicamentos que afetam o sistema nervoso central (sedativos, antipsicóticos), cardiovasculares (anti-hipertensivos, diuréticos) e aqueles que causam hipoglicemia são os principais.

Como a hipotensão ortostática contribui para quedas em idosos?

A hipotensão ortostática causa tontura e síncope ao mudar de posição, levando à perda de equilíbrio e quedas, especialmente em pacientes polimedicados.

Qual a importância da revisão medicamentosa em idosos com quedas?

A revisão medicamentosa é fundamental para identificar e desprescrever fármacos desnecessários ou de alto risco, otimizando a segurança do paciente e prevenindo futuras quedas.

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