SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2018
Um médico atende na rede básica de saúde, pela primeira vez, um paciente de 75 anos de idade que está em bom estado geral, mas faz uso de uma lista de medicamentos para hipertensão arterial, hipotireoidismo e labirintite. A conduta adequada é, além de fazer uma boa avaliação clínica,
Polifarmácia em idosos → revisão medicamentosa crítica, foco em interações, função renal/hepática e deprescrição.
A polifarmácia é um desafio comum em idosos e exige uma revisão medicamentosa criteriosa. O bom estado geral não exclui a necessidade de avaliar a adequação dos medicamentos, pois interações, efeitos adversos e acúmulo por disfunção renal/hepática podem ser subclínicos ou se manifestar de forma atípica. A deprescrição, quando apropriada, é uma estratégia fundamental.
A polifarmácia, definida como o uso de múltiplos medicamentos, é uma realidade comum e um desafio significativo na atenção à saúde do idoso. Pacientes geriátricos frequentemente apresentam múltiplas comorbidades crônicas, levando à prescrição de diversos fármacos. No entanto, a polifarmácia aumenta o risco de interações medicamentosas, efeitos adversos, hospitalizações e piora da qualidade de vida, tornando a revisão medicamentosa uma prática essencial. A abordagem adequada em pacientes idosos com polifarmácia, mesmo aqueles em bom estado geral, envolve uma avaliação clínica abrangente e uma revisão crítica de todos os medicamentos em uso. É imperativo considerar a função renal e hepática, que frequentemente estão comprometidas no envelhecimento e podem alterar a farmacocinética dos fármacos, levando ao acúmulo e toxicidade. Além disso, as interações medicamentosas são mais prováveis e podem ter consequências graves. A deprescrição, que é a retirada supervisionada de medicamentos potencialmente inapropriados ou desnecessários, é uma estratégia fundamental. O médico da atenção primária tem um papel central nesse processo, coordenando o cuidado e garantindo que o regime terapêutico seja o mais simples e seguro possível, sem comprometer o controle das doenças crônicas. Encaminhar a especialistas sem uma revisão inicial pode atrasar a otimização do tratamento e sobrecarregar o sistema de saúde.
A revisão medicamentosa em idosos é crucial para identificar polifarmácia, interações medicamentosas, efeitos adversos, medicamentos potencialmente inapropriados e oportunidades de deprescrição, otimizando o tratamento e melhorando a qualidade de vida.
Ao revisar, deve-se considerar a indicação de cada medicamento, a dose, a duração do tratamento, a presença de interações, a função renal e hepática do paciente, a adesão, os efeitos adversos e a possibilidade de deprescrição.
O bom estado geral pode ser enganoso, pois efeitos adversos de medicamentos ou interações podem ser sutis, inespecíficos ou ainda não terem se manifestado plenamente. A revisão proativa previne complicações futuras e otimiza a terapêutica.
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