Polifarmácia em Idosos: Identificação e Manejo Clínico

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 80 anos, casado, 3 filhos e nível superior completo. Apresenta Hipertensão Arterial controlada, Hipotireoidismo e Diabetes Melito. Atualmente, mantém uso regular de Enalapril, Hidroclorotiazida, Anlodipino, Levotiroxina, Metformina, Insulina e Acido acetilsalisilico.Relata que os filhos estão mais distantes que o normal, mas continuam o visitando semanalmente e o atendem em intercorrências sempre que necessário. Por esse motivo, se apresenta mais triste no último mês, sem prejuízo do sono, da alimentação ou do asseio pessoal. Relata ainda estar mais esquecido no dia -a-dia, não se lembrando nome de amigos distantes e onde colocou os pertences, mas sem impacto nas atividades diárias.Apresenta Mini-exame do Estado Mental: 29/30 e Escala Geriátrica de Depressão: 3/15. Considerando os possíveis diagnósticos de Síndromes Geriátricas neste paciente, assinale a alternativa que possui a causa mais provável, neste paciente.

Alternativas

  1. A) Polifarmácia.
  2. B) Insuficiência Familiar.
  3. C) Síndrome demencial.
  4. D) Transtorno do humor.

Pérola Clínica

Idoso polimedicado com sintomas inespecíficos → sempre considerar polifarmácia como causa principal.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos, a polifarmácia (uso de múltiplos medicamentos) é uma causa comum de síndromes geriátricas e sintomas inespecíficos, como esquecimento e alterações de humor. É crucial revisar a lista de medicamentos para identificar interações ou efeitos adversos, mesmo em pacientes com exames como MEEM e EGD dentro da normalidade para a idade.

Contexto Educacional

A polifarmácia é uma síndrome geriátrica comum e um desafio significativo na prática clínica, especialmente com o envelhecimento populacional. É definida como o uso de múltiplos medicamentos, geralmente cinco ou mais, e está associada a um risco aumentado de eventos adversos, interações medicamentosas, quedas, hospitalizações e mortalidade em idosos. Compreender seus impactos é crucial para a segurança do paciente e a qualidade de vida. A fisiopatologia da polifarmácia envolve alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas relacionadas à idade, com metabolismo e excreção de drogas alterados, além de maior sensibilidade a certos fármacos. O diagnóstico é clínico, baseado na revisão da lista de medicamentos do paciente e na correlação com sintomas inespecíficos. Deve-se suspeitar de polifarmácia em qualquer idoso com sintomas atípicos ou piora funcional, mesmo que os exames complementares sejam normais. O tratamento e manejo da polifarmácia focam na desprescrição, que é a retirada gradual e supervisionada de medicamentos desnecessários ou prejudiciais. Isso exige uma abordagem multidisciplinar e individualizada, considerando as comorbidades, a expectativa de vida e os objetivos de cuidado do paciente. A educação do paciente e seus cuidadores é fundamental para garantir a adesão e monitorar os efeitos da desprescrição, visando melhorar a qualidade de vida e reduzir a carga medicamentosa.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para definir polifarmácia em idosos?

A polifarmácia é geralmente definida como o uso concomitante de cinco ou mais medicamentos. No entanto, o conceito mais importante é o uso de medicamentos desnecessários, inadequados ou que causam mais riscos do que benefícios, independentemente do número.

Como a polifarmácia pode causar sintomas como esquecimento e tristeza em idosos?

Muitos medicamentos, especialmente os com ação no sistema nervoso central (ex: benzodiazepínicos, anticolinérgicos, alguns anti-hipertensivos), podem causar efeitos adversos como confusão, sedação, alterações de humor e déficits cognitivos, mimetizando outras síndromes geriátricas.

Qual a conduta inicial para abordar a polifarmácia em um paciente idoso?

A conduta inicial envolve uma revisão completa da medicação, buscando desprescrição de fármacos desnecessários ou potencialmente inadequados, otimização de doses e identificação de interações medicamentosas. A avaliação deve ser individualizada, considerando os objetivos de cuidado do paciente.

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